O Madem-G15 "congratula-se com a sábia decisão da CEDEAO de continuar a reconhecer José Mário Vaz como único e legítimo Presidente da Guiné-Bissau até à tomada de posse do chefe de Estado eleito, infligindo assim uma derrota política e diplomática vergonha ao PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde)", refere o partido num comunicado, divulgado no domingo, e a que a Lusa teve hoje acesso.

No comunicado, o Madem-G15 disse também estar disponível para apoiar "todas as iniciativas constitucionais tendentes a procurar soluções consensuais que visem resgatar o país da situação calamitosa em que se encontra, em consequência da gestão ruinosa das finanças públicas pelo atual primeiro-ministro, Aristides Gomes".

Os chefes de Estado e de Governo da CEDEAO estiveram reunidos em cimeira no sábado na Nigéria e ordenaram ao Presidente guineense, José Mário Vaz, para nomear o Governo proposto pelo partido vencedor das legislativas de 10 de março até quarta-feira e a nomeação de um novo Procurador-geral da República também até quarta-feira.

A CEDEAO determinou também que José Mário Vaz continua como Presidente da Guiné-Bissau até à realização das eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro, mas sem poderes para se ingerir nos assuntos da governação.

Uma grave crise política teve início da Guiné-Bissau em 2015 após o Presidente guineense, José Mário Vaz, ter demitido das funções de primeiro-ministro o presidente do PAIGC, partido que venceu as legislativas em 2014, acusando-o de corrupção e nepotismo.

A crise levou ao encerramento do parlamento do país e, apesar da mediação da CEDEAO, o chefe de Estado nomeou sete primeiros-ministros, um dos quais duas vezes.

Com a realização das eleições legislativas de 10 de março, a tensão política aumentou, com José Mário Vaz a levar mais de três meses a nomear um novo primeiro-ministro e consequente formação do Governo, alegando um impasse para a eleição da mesa do parlamento.

Após nova intervenção da CEDEAO, o Presidente, que cumpriu cinco anos de mandato em 23 de junho, acabou por indicar Aristides Gomes primeiro-ministro do país, depois de ter recusado, por duas vezes, o nome de Domingos Simões Pereira.

José Mário Vaz continuou, no entanto, sem nomear o Governo proposto por Aristides Gomes, o que vai ter de fazer por deliberação dos seus homólogos da CEDEAO até quarta-feira.

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