“No encontro que tive com os quadros guineenses em Cabo Verde, fiquei particularmente sensibilizado, porque demonstraram um conhecimento bastante detalhado e profundo do plano estratégico que apresentamos, enquadrado no nosso programa eleitoral” indicou o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, acrescentando que parte sensibilizado porque as autoridades nacionais “nunca deixaram de acompanhar o processo político guineense”.

Afirmou levar um “sentimento de gratidão” do povo cabo-verdiano, bem como da autoridade e da diáspora guineense residente no arquipélago, mesmo dos seus concidadãos residentes em ilhas como Sal, Maio, Boa Vista e São Vicente que não pôde visitar.

“Vou transmitir à camarada do PAIGC que a nossa diáspora espera muito de nós, porque acreditam no nosso Programa (de governação)”, sublinhou.

Sobre o acordo que hoje ia ser assinado em Bissau entre 21 partidos políticos que vão disputar as próximas eleições legislativas, Domingos Pereira disse que o seu partido saúda todas as iniciativas que sejam no sentido de se criar um “quadro da apaziguamento e normalidade para a ida às urnas”.

“Partindo da Comissão para a Paz e Reconciliação, felicitamos o padre Domingos Fonseca que está à frente desta organização e todas as estruturas que têm facilitado o diálogo entre os partidos políticos”, congratulou-se o líder do maior partido bissau-guineense, para quem isto evidencia que democracia na Guiné-Bissau ainda vive “momentos muito difíceis”.

Na sua perspectiva, se é preciso pedir aos partidos políticos que assinem um compromisso para respeitarem a regra democrática do seu exercício, isto é uma “evidência de que ainda a democracia tem desafios muito grandes” na Guiné-Bissau.

Para Domingos Pereira, não deixa de constituir uma “aberração” o facto de as eleições legislativas no seu país estarem a ser realizadas um ano e meses depois da última vez em que os guineenses foram chamados às urnas para elegerem o novo Governo.

“As ultimas eleições na Guiné-Bissau foram em Abril de 2014 e  a nossa Constituição diz que o período da Legislatura é de quatro anos, o que significa que não devia ser necessário que outras autoridades nos viessem recordar que em Abril de 2018 devíamos ter novas eleições”, lamentou, lembrando que foi necessário a “mediação da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), enquanto  espaço regional para se encontrar uma  data dita de consenso, 18 de Novembro de 2018”.

Segundo ele, em vez de a sociedade, sobretudo os actores políticos, se mobilizarem, para viabilizar a data 18 de Novembro, houve uma “mobilização ao mais alto nível para inviabilizar a data 18 de Novembro”, em que todo o “tipo de argumento foi evocado para esse efeito”.

“Agora, temos um decreto assinado pelo Presidente da República no sentido da realização das eleições no dia 10 de Março”, apontou, concluindo que o próprio questionamento da data é uma demonstração de que a Guiné-Bissau “vive mal com a democracia”.

Instado se não constitui preocupação da parte do seu partido sobre indícios de que vai correr muito dinheiro nas campanhas eleitorais, Simões Pereira afirmou que “haverá sempre apreensão”, já que durante os dois governos de iniciativa presidencial “transformou-se quase em algo rotineiro e normal haver reportagens de aviões que saíam sem qualquer controlo por parte das autoridades”.

“Acredito que, independentemente dos dinheiros que se utilizarem e dos meios que se utilizarem, no final do dia é o povo que vai escolher o seu legítimo representante. Acredito que o povo guineense tem maturidade suficiente para poder distinguir quem é quem em relação aos actores políticos guineenses”, comentou o presidente do PAIGC, ciente de que o seu partido “vai ganhar as eleições com absoluta”.

As eleições legislativas na Guiné-Bissau estão marcadas para 10 de Março, enquanto as campanhas eleitorais se iniciam este sábado, 16.


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