Sem referir a nomes, Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que esse tipo de comentários denuncia “o legado de uma mentalidade colonial” que, para ele, “deve acabar”.

“Esses tipos de comentários racistas não contribuem em nada para avançar. Vão contra o espírito de solidariedade. A África não pode e não será um campo de testes para nenhuma vacina”, garantiuTedros Adhanom Ghebreyesus, na conferência de imprensa virtual desta segunda-feira, 6.

“O legado da mentalidade colonial deve acabar”, acrescentou.

A polémica surgiu depois de um diálogo na semana passada entre o diretor de pesquisa do Instituto Francês de Pesquisa Médica (Inserm), Camille Locht, e um chefe de serviço de medicina intensiva do hospital Cochin em Paris, Jean-Paul Mira, no canal LCI, em que Locht foi questionado sobre os estudos realizados para encontrar uma vacina contra a Covid-19.

Jean-Paul Mira perguntou-lhe: “Se posso ser provocativo, não deveríamos fazer este estudo em África, onde não há máscaras ou tratamento ou reanimação, como foi feito em alguns estudos da sida? (…) O que acha?” O cientista o respondeu: “Você tem razão. (…) Pensamos em fazer, paralelamente, um estudo em África com o mesmo enfoque, o que não significa que não possamos também pensar em um estudo na Europa e na Austrália”.

Os dois cientistas pediram desculpas depois de terem sido fortemente criticados por associações e pelo Ministério das Relações Exteriores da França.

Em conclusão, hoje, Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou ser “vergonhoso e horrível ouvir cientistas fazerem este este tipo de declaração no século 21”.

Personalidades fracesas e africanas, como o jogador de futebol marfinense Didier Drogba e o camaronês Samuel Etoo, reagiram, assim como a associação SOS Racismo, que pediu que o Conselho Superior do Audiovisual da França intervisse contra o programa.

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