Será José Luís Tavares actualmente o melhor poeta cabo-verdiano? Pelo menos é o mais premiado, aliás o jovem tarrafalense, minino di Txon Bon, aos 42 anos é o mais galardoado dos escritores cabo-verdianos.
Tudo começou, em 1999, com o Prémio Revelação Cesário Verde, da Câmara Municipal de Oeiras, a que se seguiria o prémio Mário António, da Fundação Gulbenkian, em 2004, o prémio Jorge Barbosa, da Associação dos Escritores cabo-verdianos, em 2006, para de ter sido finalista do prémio Correntes d’ Escritas/Casino da Póvoa, em 2005, e semi-finalista do prémio Portugal Telecom de Literatura, no Brasil.
Mas ainda há mais. Em 2008 e 2009 José Luís Tavares aumentou o seu curriculo ao vencer por duas vezes consecutivas o prémio “Literatura para Todos”, do Ministério da Educação do Brasil, no valor de 10 mil reais cada um, com os livros “À Bolina em Redor do Natal” e “Lisbon Blues”. Em Cabo Verde, seria ainda distinguido, em 2009, com o prémio Pedro Cardoso, com o livro “Tempu di Dilubri (escrito em crioulo).
O seu mais novo livro “Cidade do Mais Antigo Nome” acaba de sair na editora portuguesa Assírio & Alvim, acompanhado por um conjunto de fotografias do fotógrafo português Duarte Belo. O livro tem a Cidade Velha como tema principal, recentemente eleita Património da Humanidade. Não é muito usual livros de poesia com fotografias à mistura. Mas, como o próprio autor explica: “Trata-se de um livro concebido nessa perspectiva, muito visual”.
Outro dos aspectos mais sonantes das suas obras são os títulos, bastante sugestivos, como, por exemplo, “Paraíso Apagado Por um Trovão”. “Eu guardo um caderno onde todos os dias escrevo e anoto títulos e ideias poéticas sugestivas para possíveis livros”.
Mas, desengane-se quem espere encontrar Cabo Verde como ponto de partida dos seus poemas. “O mais importante é escrever, as temáticas vão mudando ao longo da vida de um escritor”.  Quanto à própria escrita, são muitos os leitores para quem esta não é nada fácil, talvez pensando ir encontrar na obra de José Luís Tavares alguma ressonância próxima da maioria dos autores cabo-verdianos.
No entanto, segundo o próprio, os seus livros “vendem-se bem”. “Em dois, três anos, uma edição de mil exemplares está esgotada”. Nada mau, quando se está a falar de poesia.
Se os seus livros se vendem bem, a crítica literária lusófona recebeu o novo nome das letras cabo-verdianas de braços abertos, mostrando-se entusiasmada com a sua obra e dedicando-lhe teses de mestrado e doutoramento.