A imprensa turca refere esta quarta-feira (10/10) que o desaparecimento forçado ou mesmo o assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi de 59 anos, teria sido efectuado por agentes do seu país.

A sua namorada que o acompanhou a 2 de Outubro ao consulado e não o viu sair, pediu ontem no Washington Post ao Presidente Donald Trump, aliado da Arábia Saudita, que a ajude a esclarecer este caso.

Donald Trump diz-se “preocupado” e afirma que “más histórias circulam“, mas a ong de defesa de direitos humanos Human Rights Watch deplora a reação tardia e moderada da administração norte-americana, estimando que esta possui “instrumentos para responder rapidamente, sendo apenas uma questão de vontade política”.

Em entrevista na sexta-feira (5/10) à agência Bloomberg, o príncipe herdeiro saudita Mohammed ben Salmane confirma que Jamal entrou de facto no consulado em Istambul de onde saiu pouco depois.

Televisões turcas difundiram imagens de vídeo vigilância, ilustrando a sua entrada no consulado, tal como do autocarro transportando a suposta equipa responsável pelo seu desaparecimento, facto confirmado pela polícia turca que este fim de semana afirmou que o jornalista tinha sido assassinado no consulado, o que Ryad desmente categoricamente.

A polícia turca revelou este sábado (6/10) que um grupo de 15 cidadãos sauditas tinha feito uma ida e volta a Istambul e ao consulado no dia do desaparecimento do jornalista e hoje o diário pro-governamental turco Sabah publicou os nomes e idades dos 15 sauditas apresentados como a “equipa do assassínioenviada por Ryad, um deles sendo um militar do departamento de medecina legal da Arábia Saudita.

O jornal Washington Post do qual Jamal é correspondente, citando fontes informadas, afirma que os serviços secretos norte-americanos tinham interceptado antes do seu desaparecimento comunicações entre responsáveis sauditas evocando o seu rapto.

A ong Repórteres Sem Fronteiras denuncia que desde Setembro de 2017 mais de quinze jornalistas e “bloggers” sauditas foram presos, sem confirmação oficial e estão em paradeiro incerto, denuncia uma vaga de repressão severa e pede um inquérito internacional independente.