“O apelo para a ajuda continua. A resposta já veio, mas não podemos parar por aqui. O número de mortos é elevado. É possível que se encontrem mais corpos, sem contar com as pessoas que estão a morrer por causa da cólera e da malária”, disse Joaquim Chissano.

O Ministério da Saúde de Moçambique anunciou a sexta morte causada pelo surto de cólera que irrompeu a seguir à passagem do ciclone Idai pelo centro do país.

“Esses países sabem qual é a sua responsabilidade quando falamos de solidariedade. Não é só neste aspecto, há outros: o atraso no desenvolvimento, o analfabetismo, a escravatura”, acrescentou.

O antigo chefe de Estado moçambicano fez estas declarações à agência de notícias portuguesa, lusa, em Abidjan à margem do fim-de-semana sobre governação da Fundação Mo Ibrahim, que se dedica à promoção da boa governação em África.

Mia Couto nasceu na Beira e foi, este sábado, questionado sobre se a tragédia provocada a 14 de Março pelo ciclone Idai – que tirou a vida a 602 pessoas e afectou mais de 1,5 milhões de pessoas.

“É uma desgraça terrível. Uma desgraça humana imediata. Há muita gente que morreu, gente que foi projectada anos para trás, do ponto de vista da construção da sua própria vida, e o país recuou 15 anos. É como se fosse um estigma, este país tem sempre de recomeçar, e recomeçar e recomeçar”, descreveu o escritor moçambicano.

Ainda questionado sobre caso das “dívidas ocultas” – ligado à prestação de garantias no valor de cerca de 2.000 milhões de euros pelo anterior Governo moçambicano a favor de três empresas do Estado ligadas à segurança marítima e pesca, Mia Couto afirmou que as dívidas ocultas “serão um peso que vamos carregar nos próximos anos. Não só as ocultas, mas também aquelas declaradas”.

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