Rosana Almeida fez esta consideração durante uma conversa aberta online sobre a assunção da Lei da Paridade por parte das organizações partidárias de mulheres e sociedade civil, em que foi analisada a questão “onde estávamos, como estávamos, para onde vamos e que estratégias devem ser traçadas com vista a melhorar”.

“Estamos precisamente a celebrar 45 anos de independência de Cabo Verde e o momento nos convida daqui para a frente em termos mais mulheres na esfera das decisões e a igualdade de género e as questões de géneros precisam passar à prática e não como uma preocupação”, acentuou.

A presidente do ICIEG defendeu que é preciso criar um Cabo Verde “mais igualitário” para a nova geração e que as mulheres devem ultrapassar algumas questões que tem que ver com o “telhado de vidro” e mostrar que por “mérito elas têm de estar também na política”.

Com este webinar, promovido pelo ICIEG, envolvendo vários parceiros da sociedade civil, associações e organizações não governamentais, Rosana Almeida acredita que vão “impactar e motivar mais mulheres” a fazer parte da vida política.

“Não podemos parar, precisamos mostrar que nós temos mérito e precisamos fazer valer o nosso mérito e trazer a nossa participação efectiva para a política em Cabo Verde”, realçou.

Ao fazer uso da palavra, a presidente da Rede de Mulheres Parlamentares, Lúcia dos Passos, recordou que nas últimas eleições autárquicas de 2016 houve cerca de 35 a 39 por cento (%) das mulheres a participarem como candidatas.

Em termos de resultados, apontou, 26% foram eleitas para vereadoras e 29% para as assembleias municipais e das três candidatas mulheres a presidente de câmaras nenhuma delas foram eleitas. A nível das assembleias municipais, frisou, há apenas três mulheres como presidente.

Com o aproximar de mais uma eleição, defendeu que é preciso fazer algo para que os partidos cumpram a lei.

“Todas as associações das mulheres dos partidos políticos devem fazer um trabalho gigantesco a nível das comissões concelhias dos respectivos partidos políticos para que os partidos cumpram a paridade com a lista alternada, isto é fazer a alternância até atingir os 40%”, disse, especificando que se os cabeças-de-lista forem homens, o segundo da lista deve ser mulher.

A segunda coisa a ser feita, apontou é que a Comissão de Seguimento da Lei da Paridade, empossada na segunda-feira, 29, deve reunir-se com os presidentes dos partidos para mostrar que “estão atentos e que vão accionar todos os mecanismos legais para obrigá-los a cumprir com os artigos 4 e 6 da lei de paridade”.

Contudo, sublinhou, é preciso esperar a apresentação de toda a lista dos partidos que vão concorrer às eleições autárquicas e analisar a composição dessas listas.

Por sua vez, Cristina Fontes Lima, antiga ministra da saúde, lamentou o facto de os partidos que apresentarem as suas cabeças-de-lista não terem incluído mulher como presidente de câmara.

Para a mesma, isto representa um recuo e é preciso haver condições para as mulheres que querem fazer política possam chegar aonde têm condições para chegar.

“Acho que deve haver alguma explicação(…), mas direi que essa explicação deverá passar por algum problema actual da forma como se faz política, talvez haja aqui novos ingredientes que levam a alguma descrença”, advogou.

Cristina Fontes Lima acredita que não vão ter qualquer risco de os partidos não respeitaram a lei da paridade, pois os tribunais não vão aceitar uma lista que não tenha a paridade.

Esta webinar contou com a participação de representantes de Timor Leste, Luxemburgo, Itália, Angola e Portugal.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.