Celebra-se mais um aniversário da Independência de Cabo Verde, 45 anos, cujo percurso é considerado por muitos, de trabalho em busca da edificação de um país mais livre, mais democrático, em que os cabo-verdianos, homens e mulheres deverão ser o centro do sistema político, económico e social, em construção.

“A nossa Independência foi o maior ganho em séculos, o maior ganho que o nosso povo teve ao longo de toda a sua existência. Há 45 anos, e até hoje, temos percorrido um caminho contínuo de evolução e de progresso, embora enfrentando, sem dúvida, inúmeras dificuldades”, frisou o comandante Júlio de Carvalho, em entrevista à Inforpress, no âmbito da celebração da efeméride.

Recordando a trajectória de Cabo Verde como nação livre e independente, Júlio de Carvalho conta que no dia da proclamação da Independência, 05 de Julho de 1975, estava no Estádio da Várzea, tendo chegado nas vésperas da Guiné-Bissau para vivenciar o momento.

“Esse momento para nós tem um significado absolutamente extraordinário. Estava na Várzea assistindo o ascender da nossa bandeira. Foi um sonho que se tornou realidade (…) nós, assumindo nas nossas mãos o nosso destino”, reviveu, lembrando que na altura era um jovem de 32 anos.

Segundo Júlio de Carvalho, naquele dia Amílcar Cabral era o “grande ausente”, porque ele foi, conforme acentuou, “indiscutivelmente”, o principal artífice de todo o percurso que o partido fez para que se pudesse chegar a este dia.

“Tenho quase a certeza que naquele momento Cabral esteve connosco, saudando, também, este desfecho glorioso da luta”, exteriorizou, reportando-se que Inocêncio Cani foi o autor do assassinato de Amílcar Cabral.

Volvidos 45 anos, ciente dos desafios, o comandante Júlio de Carvalho, aponta que não obstante as conquistas alcançadas, há realidades sociais que continuam interpelando, nomeadamente o “acentuar das diferenças” no seio da população, “aumentando” em cada ano, o número de pessoas, vivendo no “limiar da pobreza”, senão, na “maior miséria”.

“Construir uma sociedade mais justa, combatendo a exploração e reduzindo as assimetrias sociais e a injustiça, constituía um dos objectivos maiores da nossa luta, plasmada, aliás, no programa do 1º Governo do Cabo Verde independente”, sublinhou o comandante.

“Se, na prática esse propósito foi firmemente perseguido com resultados positivos concretos no período da chamada 1ª República, há já vários anos que o número dos preteridos com a falta de emprego, sujeitos ao subemprego ou recebendo um salário de miséria, não para de crescer”, concretizou.

Uma situação que, conforme disse, preocupa-o, por razões de dignidade humana e de justiça social, que podem levar a outras situações também preocupantes, nomeadamente o quadro de criminalidade “crescente” no país, com destaque para os crimes violentos, gerando um sentimento de insegurança, sobretudo, nos principais centros urbanos do país.

Para Júlio de Carvalho, o primeiro comandante das Forças Armadas (FA) na reserva, também antigo ministro da Administração Interna do Governo do PAICV, um outro motivo de preocupação, tem a ver com os “perigosos sinais de deriva” que, conforme analisa, vem acusando o rumo da política externa do País.

“Dando, claramente, o nosso governo, mostras de condescendência, favorecendo interesses outros que não exclusivamente os do nosso povo”, disse.

“Pela primeira vez, desde a proclamação do nosso Estado, o princípio do não alinhamento que sempre norteou o relacionamento de Cabo Verde com outros países e entidades a nível internacional, foi inesperadamente violentado com a assinatura de um acordo entre o nosso governo e o governo dos Estados Unidos da América, permitindo a presença e instalação, na nossa terra, com armas e bagagens, de militares das forças armadas deste país”, desaprovou.

Falando dos seus desejos em relação a Cabo Verde, Júlio de Carvalho disse que o mais “urgente e importante” é continuar a enfrentar com “determinação” a luta que todos, sob a orientação do Governo e das autoridades sanitárias, tem vindo a dar ao vírus covid-19.

“A redução e o controlo dos seus efeitos negativos na vida do país, seja na melhoria das condições de cobertura sanitária e da saúde em geral, seja na retoma das atividades económicas para voltarmos a pôr o país a andar, é o desafio maior para o qual todos somos convocados a contribuir”, considerou.

Júlio de Carvalho concluiu, estimulando os cabo-verdianos, a nova geração, especialmente, a terem firme confiança no futuro de Cabo Verde.

“Como Nação estamos num bom caminho para um futuro melhor”, finalizou.

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