José Rui Moreira falava à Inforpress quando abordado sobre a actuação dos serviços sanitários, no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral face ao problema do coronavírus, registado agora em Itália, país com forte ligação com Cabo Verde, de onde vêm muitos turistas.

Embora tenha sido interditado todos os voos provenientes daquele país por um período de três semanas, o delegado de saúde assegurou que os passageiros da Itália que vieram ou vêm para o Sal, através de outras vias, estão a ser seguidos cuidadosamente.

“Temos italianos que chegaram ao Sal antes dos voos serem interditados, e outros que podem chegar por outras vias, mas estamos cautelosos, tomando todas as providências para evitar a entrada do vírus no país”, assegurou.

Rui Moreira disse que já foram realizados encontros com os directores dos hotéis, militares, estudantes, pessoas que trabalham ligadas ao aeroporto – da cúpula ao pessoal de limpeza -, para reforçar a segurança a nível de limpeza do espaço aeroportuário.

“No sentido de se efectuar uma limpeza mais profunda em todos os sítios por onde pode haver toque das pessoas, colocar álcool gel em todo o lado… dando orientações no sentido de as pessoas terem um pouco mais de cuidado a nível de higiene, particularmente, das mãos”, referiu, ponderando, que os passageiros que vão passando, chegando ao país, são assintomáticos, podendo estar, entretanto, no período de transmissão do vírus.

“O vírus tem um período de incubação, então temos que tomar todas as precauções para estarmos menos vulneráveis, possível. É fazermos tudo para diminuir esse risco”, explicou, acentuando, uma vez que a ilha do Sal é a base do ‘hub’ aéreo, onde diariamente, circulam milhares de passageiros de diferentes latitudes.

Como precaução, Rui Moreira asseverou que o hospital já tem espaço preparado para isolar eventuais pacientes com sintomas de coronavírus, reiterando que as equipas de saúde estão a inspecionar todos os passageiros que cheguem nos voos internacionais.

O médico alerta às pessoas que chegam ao país a estarem atentas, e perante qualquer sintoma procurar os serviços sanitários.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, revelou na sua página de oficial, no Facebook que Cabo Verde vai interditar todos os voos provenientes da Itália por um período de três semanas, a partir de hoje, por causa do coronavírus.

“Aprovamos uma Resolução do Conselho de Ministros que irá ser publicada amanhã, 27 de Fevereiro, interditando todos os voos com procedência em Itália para Cabo Verde, por um período de três semanas. A situação será avaliada para decisão sobre a continuidade da medida ou seu cancelamento, conforme a avaliação da evolução do coronavírus (COVID-19) em Itália”, lê-se.

Segundo Ulisses Correia e Silva, o Governo italiano foi devidamente informado desta medida “preventiva, temporária, que se justifica pelo facto de se ter registado um aumento exponencial de casos de pessoas infectadas pela COVID-19 em Itália, com particular incidência no norte de Itália”.

O chefe do Governo explicou, ainda, que a decisão foi tomada pelo facto de existirem ligações diárias directas entre aquele país europeu e Cabo Verde (Sal e Boa Vista), com um afluxo anual de 30 mil turistas e com uma média de estada de cerca de seis dias.

“Perante a situação de epidemia que está a atingir vários países do mundo, é preciso sentido de responsabilidade e evitar atitudes oportunistas que nada contribuem para a prevenção e o combate de um fenómeno à escala global”, sublinhou.

Cabo Verde, até o momento, não registou nenhum caso suspeito do surto pandémico de coronavírus que teve início no final de Dezembro de 2019, após ter casos registados em Wuhan, na China, com o total de 14,5 mil casos registados em 18 países e com 305 mortes, segundo os dados da OMS.

O novo agente do coronavírus, chamado coronavírus – nCoV-2019 é uma família de vírus que causa doenças que variam das infecções respiratórias comuns a doenças graves, com impacto importante em termos de saúde pública, como a Síndrome Respiratória Aguda (SARS), identificada em 2002, e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) identificada em 2012.

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