Esta nova lei laboral considerada “esclavagista“, votada na passada quarta-feira (12/12) permite aos patrões exigirem que os seus empregados trabalhem até 400 horas extraordinárias por ano – o equivalente a dois meses de trabalho – horas que serão pagas num período que se pode estender até três anos.

Paira a ameaça de greve geral neste país minado pela corrupção, onde desde quarta-feira milhares de pessoas manifestam frente ao parlamento, para denunciar a deriva autoritária do primeiro ministro nacionalista e conservador Viktor Orban.

Pela primeira vez desde 2010, quando Viktor Orban regressou ao poder, a extrema-direita juntou-se ontem às manifestações convocadas pela oposição de esquerda e liberal, sindicatos, estudantes, reformados e outros grupos da sociedade civil.

Este domingo dois deputados ecologistas da oposição, Akos Hadhazy e Bernadett Széll, conseguiram penetrar no edifício que alberga a televisão pública, MTVA, que segundo eles é uma mera máquina de propaganda do partido Fidesz de Viktor Orban, para ler uma petição em cinco pontos pedindo entre outros a anulação desta lei e a independência dos media públicos, mas foram expulsos esta madrugada por agentes de segurança, o que é ilegal.

Tal foi transmitido em directo pelas redes sociais, que denunciam “um crime”, pois o estatuto de deputado define que ele é legitimamente autorisado a penetrar nas sesdes dos orgãos públicos.

Um grupo de deputados da oposição cerca nesta segunda-feira (17/12) a sede da televisão pública, frente à qual está convocada para as 18 horas locais (17 TMG) uma nova manifestação com as mesmas reivindicações e exigências.

Criticado pela União Europeia, pelo seu autoritarismo e atentados à independência da justiça e dos media, esta é desde 2017 a primeira vez que Viktor Orban sofre uma tal contestação popular, quando cerca de 40.000 pessoas manifestaram contra uma lei visando encerrar a Universidade da Europa Central, financiada pelo milionário americano de origem húngara George Soros, desta vez o governo também apelida os manifesttantes de “vândalos a soldo de Georges Soros“.

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