“O candidato do PAIGC, apesar de ser eleito no fórum próprio, corre o risco de não chegar à segunda volta”, disse o candidato da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que é apoiado também pelo Partido da Renovação Social (PRS), em entrevista à agência Lusa, em Bafatá, no leste do país.

Nabian apontou entre os candidatos que podem ir buscar votos à base do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) Baciro Djá, José Mário Vaz, atual Presidente, Umaro Sissoco Embaló, o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e ele próprio.

“A Guiné-Bissau devia ter só dois candidatos para estas eleições. Um candidato do PRS e um candidato do PAIGC”, disse.

Questionado sobre o apelo do candidato apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), Umaro Sissoco Embaló, para que todos se juntem contra Domingos Simões Pereira, do PAIGC, Nabian admitiu essa possibilidade, referindo que os guineenses não querem que a comunidade internacional fabrique o Presidente da República.

“Os guineenses não vão aceitar isso. Esta terra custou aos nossos pais e a muita gente. Domingos Simões Pereira é um candidato completamente fragilizado nestas eleições, porque não tem apoio” e “não vai conseguir juntar os guineenses”.

Considerando que “estas eleições são cruciais para a Guiné-Bissau”, referiu que “é preciso que o país se una em volta de um único projeto e é preciso ter um Presidente com capacidade para dialogar com as pessoas”.

“O Presidente tem de ser alguém que o povo guineense reconheceu que pode unir os guineenses. Só em torno disso podemos avançar. É possível criar estabilidade, mas não com o Domingos Simões Pereira”.

Nabian considerou que o PRS e a APU-PDGB tiveram “a capacidade de unir a classe política, consolidar a base”, enquanto que no PAIGC “isso não aconteceu”, porque o partido “está fragilizado e fragmentado”.

Segundo o candidato, é essa união com o PRS que lhe dá as garantias de que vai passar à segunda volta das eleições presidenciais de 24 de novembro. Quanto à possibilidade de vencer logo à primeira volta, referiu que muitos candidatos dizem que sim, mas isso “é política” e não a situação real.

“Podemos ser demasiado otimistas e dizer que o candidato da APU pode ganhar logo à primeira volta e começar a proclamar a vitória antecipada, mas não o fizemos, porque somos realistas. Achamos que a APU vai chegar à segunda volta e liderar essa segunda volta”, disse, referindo o “trabalho profundo” com o PRS e elogiando a “capacidade política” do presidente deste partido, Alberto Nambeia, que esteve ao seu lado durante a entrevista à Lusa.

Para Nuno Nabian, o líder do PRS “foi um homem incansável” que fez tudo “para juntar os políticos da Guiné-Bissau” para “criar aquilo que é fundamental hoje na Guiné-Bissau que é a estabilidade”, essencial para “fazer o país avançar para o desenvolvimento”.

A APU-PDGB assinou um acordo de apoio parlamentar com o PAIGC, permitindo uma maioria no parlamento, que foi depois denunciado por Nuno Nabian. No entanto, três dos cinco deputados do partido mantiveram-se fiéis a este acordo, permitindo a continuidade da maioria.

Sobre o assunto, Nabian afirmou que depois das legislativas de março a APU-PDGB “assumiu a sua responsabilidade” para promover a estabilidade, referindo que foi o seu partido que deu “a prerrogativa ao PAIGC de poder Governar o país”, mas acusou o presidente deste partido, Domingos Simões Pereira, de não saber dialogar.

Questionado sobre se esta situação o fragilizou no seu partido, referiu que a sua liderança “continua a ser forte” e que chegou “a um entendimento” com os três parlamentares.

“É uma mera questão de compreensão sobre qual é a estratégia do partido”, disse, sem especificar.

Questionado sobre se ambiciona vir a liderar o PRS, uma vez que é apontado como “o herdeiro” do fundador do partido Kumba Ialá, ex-Presidente que morreu em 2014, Nabian respondeu que não.

“O PRS é um grande partido, um partido histórico na Guiné-Bissau e para dizer a verdade, não me passou pela cabeça liderar o PRS”, disse, referindo que tem o partido que criou, mas admitiu que as duas formações políticas se possam juntar no futuro porque têm “uma única base”.

A primeira volta das eleições presidenciais guineenses, a que concorrem 12 candidatos, realiza-se em 24 de novembro. A campanha eleitoral termina na sexta-feira.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.