“Por estarmos desde março sem aulas, por exemplo, pode ser que o ano letivo não termine em outubro, como é habitual. Podemos estender o calendário para finais de novembro ou início de janeiro de 2021. A evolução dos casos e a situação conjuntural é que nos vai ajudar a definir”, disse hoje à Lusa Gina Guibunda, porta-voz do Ministério da Educação.

Quando foi declarado estado de emergência no país, no dia 1 de abril, o Ministério da Educação previa que se retomassem as aulas, pelo menos, a 4 de maio, mas surgiu a prorrogação e o aumento dos casos, colocando uma incógnita sobre o regresso dos alunos às escolas.

“Ainda não temos matéria para dizer que o ano letivo vai ser anulado, trata-se de uma incógnita sim, mas nós estamos a tentar resolver essa equação em função dos dados que temos”, acrescentou Gina Guibunda.

O estado de emergência em Moçambique vai durar até o final de maio, mas o chefe de Estado, Filipe Nyusi, admitiu na sexta-feira tomar medidas mais duras para a prevenção da COVID-19, se persistir o incumprimento de algumas restrições, nomeadamente se os níveis de circulação interna continuarem altos.

Desde que se decretou o estado de emergência em Moçambique, as aulas têm sido dadas através da televisão, rádio e plataformas digitais, mas organizações não governamentais alertam para as limitações deste modelo, tendo em conta que a maior parte das famílias no país não tem acesso a estes meios, principalmente nas zonas rurais.

No reajuste do calendário escolar, “vai ser estipulado um tempo para a revisão das matérias que têm sido veiculadas através das plataformas”, avançou a porta-voz do Ministério da Educação.

O ano letivo arrancou em fevereiro, com 8,4 milhões de alunos no sistema público, segundo informações oficiais, um aumento de 4,7% em relação a 2019.

Cerca de um milhão de alunos entrou no ensino secundário, enquanto a maioria são do ensino primário (do primeiro ao sétimo ano de escolaridade).

De momento, há um total acumulado de 146 casos de COVID-19 registados pelas autoridades desde o início da pandemia, sem registo de mortes e com 48 recuperados.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 323 mil mortos e infetou quase 4,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

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