“São jovens catalães coordenados. O que estão a fazer não se improvisa e os apoios que eventualmente estão a receber são alvo de investigação, neste momento”, disse a porta-voz do governo em entrevista à Radio Euskadi.

Celáa acrescentou que a declaração institucional de Torra sobre os confrontos “não convenceu totalmente o Executivo”, destacando que se verificaram condenações “mais claras” por parte de outros protagonistas políticos, como a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e o próprio conselheiro do Interior do governo autónomo catalão, Miquel Buch.

“A declaração de Torra teve muitas nuances e modulações. Falou de ‘infiltrados’, mas todos vimos que são jovens catalães”, disse.

“A maior esquizofrenia vem de quem impulsionou a saída às ruas (referindo-se a Torra) e que depois quer que o ‘tigre’ regresse à jaula. Não é assim tão fácil”, ironizou a porta-voz.

Isabel Celáa disse que neste momento está a ser investigado “quem está por detrás” desses grupos “minoritários, mas coordenados” tendo garantido que vão ser julgados e castigados de acordo com a lei.

Já hoje, o presidente do governo regional da Catalunha, Quim Torra, anunciou que “será preciso investigar até ao fim para se ficar a saber quem está por detrás dos incidentes” que ocorrem nas ruas da Catalunha depois de ter sido conhecida a sentença sobre os implicados no “Processo”.

Na quarta-feira, Torra afirmou que os responsáveis pelos desacatos são “infiltrados”, mas hoje disse que se “há provocadores e agitadores que querem alterar o rumo das manifestações pacíficas é preciso isolá-los e afastá-los”.

Mesmo assim, Torra acrescentou que ninguém deve “criminalizar a desobediência civil” e instou o conselheiro do Interior do governo local a “investigar qualquer situação irregular que tenha acontecido”.

Torra disse também que deve ser feita a “autocrítica” sobre as cargas da polícia regional (Mossos d’Esquadra).

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017.

Os juízes decidiram condenar nove deles a penas de até 13 anos de prisão por delitos de sedição e peculato.

Depois do anúncio da sentença, os independentistas começaram a fazer cortes de estradas e de vias de caminho-de-ferro um pouco por toda a Catalunha.

Nas últimas três noites as manifestações ficaram marcadas por confrontos entre grupos violentos e as forças de segurança.

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