O capitão da selecção cabo-verdiana de futebol teceu algumas críticas pela forma como João de Deus saiu do comando técnico da selecção de Cabo Verde.  Lito está cem por cento de acordo o  ex-seleccionador:

”Ele estava num país estrangeiro e sem receber. É lógico que saia para procurar trabalho noutro sítio. Não podia continuar a trabalhar sem receber”.

Para Lito, esta decisão terá maior impacto junto dos jogadores que actuam nos campeonatos cabo-verdianos: “Isso  vai afectar  mais os jogadores residentes , uma vez que João de Deus vinha a fazer um acompanhamento exaustivo desses jogadores.

 

Agora há que encontrar uma solução”, disse o avançado que actua na Académica de Coimbra.

 

O trabalho de João de   Deus foi amplamente elogiado pelo capitão da selecção nacional, quer pelos resultados, pelo trabalho de base que vinha desenvolvendo dentro da federação mas também pela imagem que Cabo Verde conseguiu no mundo do futebol:

“Esta saída e da forma como foi é muito mau para a imagem do país. Cabo Verde vinha a fazer bons resultados, apesar de não termos qualificado para a CAN, as pessoas passaram a olhar-nos de outra forma pelos bons jogos que fizemos”.

 

E os elogios continuam: “Penso que nenhum dos meus colegas gostaria que chegássemos a essa situação. Tínhamos uma excelente relacionamento com o seleccionador”, afirma Lito.

 

João de Deus assumiu o comando técnico de selecção de Cabo Verde em Abril de 2008, cargo que acumulava com a de director técnico da selecção, no âmbito de um projecto com término previsto para 2014. Esteve à frente de uma série de formações ministradas pela FIFA e CAF, como no licenciamento para treinadores de nível C.

 

Os salários da equipa técnica eram pagos pela empresa DP-SGPS, que comprometeu-se injectar oito mil e 400 contos anuais, num período de três anos, na federação nacional, para custear os encargos os técnicos. O não pagamento dos honorários, levou o português a abandonar o seu cargo, pois já está sem receber há quase um ano.

 

O próprio João de Deus já disse que a sua decisão é irreversível. A Federação Cabo-verdiana de Futebol marcou ainda para esta semana uma conferência de imprensa para dar explicações sobre a saída do seleccionador nacional.

 

 

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