A produção do café este ano é inferior à de 2014 e ainda assim melhor do que 2013, considerado como o pior de que há memória, garantem os proprietários e guardas dos cafezais na ilha do Fogo.

Para os mais pessimistas a produção de 2015, cuja colheita iniciou na semana passada, vai quedar para metade da produção de 2014 que foi superior a 100 toneladas, mas os mais optimistas apontam para uma produção que poderá aproximar-se das 100 toneladas.

Para Artur Barbosa, proprietário e um dos produtores que já começou a colheita do café, a insuficiência de chuvas no ano transacto é um dos factores que contribuiu para a fraca produção deste ano, ao que se junta a deficiência na própria colheita.

Segundo o mesmo, o pessoal que faz a colheita do café não tem qualificação adequada e no processo de apanha retirar as brotas e flores da próxima safra influenciando assim a produção do ano seguinte.

As razões para a fraca produção são partilhadas pelos guardas de cafezais da zona de Espia e Pai António, nomeadamente Ricardo e Nené, mas também por outros proprietários de café, como Agnelo Vieira Andrade e outros contactados pela Inforpress.

Durante uma visita guiada à Espia, Artur Barbosa adianta que as pessoas que sabiam fazer a colheita de café estão com idade avançada e os jovens não o fazem como mandam as regras, e no caso dele, o grupo de 19 pessoas que tinha no terreno a maioria, senão todos, são novatos nesta lida.

Quer para a formação como para outras intervenções como construção de diques para evitar a erosão, para substituir as plantas velhas e para realização de outros trabalhos porque o café, segundo explica, é exigente, Artur Barbosa defende, por exemplo, a concessão de crédito com juros bonificados que permite aos proprietários fazer investimentos neste sector.

Este proprietário que no ano passado não vendeu a sua produção à empresa “Fogo Coffee Spirit”, uma “joint-venture” entre empresas holandesas e nacionais disse que este ano também vai optar pela mesma via apesar de algumas dificuldades.

Artur Barbosa disse que a associação dos produtores de café dos Mosteiros deixou de funcionar e que os equipamentos que estavam nas antigas instalações foram votados ao abandono e que agora para torrar um quilo de café na empresa “Fogo Coffee Spirit” é obrigado a pagar 40 escudos, cinco vezes mais do que pagava na associação.

Segundo disse, tem armazenado mais de um milhar de bolsas para colocar café, mas tem tido dificuldades para torrar, moer e empacotar.

Agnelo Vieira de Andrade, um dos coproprietários do Morgadio de Monte Queimado, uma referência na produção de café nos Mosteiros, disse que a colheita vai iniciar na próxima semana em propriedades de familiares e que só mais tarde vai-se fazer no Monte Queimado, apesar da produção deste ano ser fraca.

A “Fogo Coffee Spirit limitada”, que no passado comprou cerca de 70 toneladas de café já iniciou o processo de aquisição e até este momento já comprou umas sete toneladas, mas o responsável da fábrica encontra-se ausente e por isso não foi possível saber quantas toneladas pretende adquirir este ano.

Habitualmente nesta época do ano o preço de café tem a tendência para baixar e é nesta base que Agnelo Vieira de Andrade iniciou esta semana uma campanha de promoção da venda de café do Fogo junto dos estabelecimentos comerciais da cidade de São Filipe e com a possibilidade de colocação na Cidade da Praia.

O café torrado, moído ou em grão, está disponível em sacos de 250, 500 e 1.000 gramas para facilitar a aquisição e, conforme o mesmo, a questão de torrefação que dá maior qualidade ao café é feita respeitando padrões internacionais.

Cultivado na área montanhosa e fértil dos Mosteiros envolto por diversos microclimas, o café do Fogo (biológico), sobretudo do Morgadio de Monte Queimado, a maior propriedade unificada de produção de café na ilha, foi premiado com a Medalha de Ouro da Exposição Colonial no Porto, em 1934, como “o melhor café do império”.

Em 1917 e 1918, o café do Fogo conquistou os primeiros prémios numa exposição agrícola realizada na Cidade da Praia, além de ter tido uma participação na grande exposição da Índia Portuguesa, em 1954.

Inforpress

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