O chefe do Governo que discursava na cerimónia de homenagem ao padre Ottávio Fasano e às associações ASDE e AMSES, promovida pela câmara e Governo no dia em que se comemora os 97 anos da elevação de São Filipe à categoria de cidade, disse que o Governo vê no padre Ottavio e nas associações “como símbolos daquilo que este país quer, a resistência, a resiliência, o acreditar e fazer acontecer e transformar”.

Para Ulisses Correia e Silva, há muito caminho por fazer, mas aquilo que tem sido realizado até agora demonstra que o país tem que continuar a caminhar com confiança naquilo que já produziu e naquilo que é capaz de produzir.

“A capacidade de entrega, a dedicação, o compromisso e fazer bem com pouco é o caminho que todos temos de percorrer”, disse o primeiro-ministro, indicando que a condecoração ao padre e a Associação Missionária de Solidariedade e Desenvolvimento (AMSES) pelo Governo tem duplo reconhecimento, devido ao empenho, dedicação do padre Ottavio Fasano por aquilo que tem feito para tornar realidade uma associação que tem tido “um papel muito importante”, não só na ilha do Fogo como nas de Sal, Santo Antão e Santiago, fazendo acontecer coisas importantes com investimentos e realizações.

Para o mesmo, trata-se de uma condecoração merecida pelo facto da AMSES ser uma associação que produz resultados em áreas fundamentais como saúde, formação, produção de água e vinho, desenvolvimento do turismo e das pescas, que são sectores que demonstram importância de se fazer um “casamento” entre aquilo que são as potencialidades da ilha e a capacidade de empreender e de investir.

“O empreendedorismo, turismo e formação são de factos os caminhos mais assertivos e sustentáveis para podermos dar respostas às necessidades das pessoas, com criação de empregos, rendimentos, lutar contra a pobreza e na criação da felicidade”, disse o primeiro-ministro.

Por sua vez o autarca de São Filipe, Jorge Nogueira, recorrendo de citação de um pensador alemão, disse que existem três tipos de pessoas, “bons, muito bons e imprescindível” para depois afirmar que o padre Ottavio Fasano enquadra-se na lista das pessoas imprescindíveis e que utilizou muito do seu tempo na criação de condições para debelar a desigualdade e a miséria.

Este disse que São Filipe conheceu três “homens imprescindíveis”, nomeadamente o padre Camilo Torassa e o enfermeiro Rolando Lima Barber “Zuca”, ambos falecidos e homenageados pela autarquia de São Filipe em 2017 e 2018, respectivamente, cabendo agora a vez do padre Ottavio Fasano, que desde a sua chegada à ilha, em Janeiro de 1965, ajudou a vencer a pobreza e a profunda desigualdade social existente na estrutura social da ilha.

Depois de enumerar as obras materializadas quer na ilha do Fogo como nas do Sal, Santo Antão e Santiago, Jorge Nogueira sublinhou que é “legítimo” reconhecer e prestar um tributo ao padre Ottavio pelo imprescindível contributo dado no desenvolvimento da ilha do Fogo e de Cabo Verde, outorgando-lhe as chaves da cidade de São Filipe, que hoje assinala os 97 anos da sua ascensão a cidade.

Ao receber o galardão, o homenageado disse que “a chave é ouro do coração do povo cabo-verdiano”, observando que perante a situação social, económica e humana encontrada aquando da sua chegada a Cabo Verde, na qualidade de missionário, cristão e pessoa humana, não podia ficar indiferente.

Este observou que Cabo Verde foi uma reflexão “muito importante” na sua vida humana, missionária e cristã, adiantando que as obras não são apenas dele, mas de todos os colaboradores e voluntários que ajudaram na sua concretização.

A construção do centro sócio-sanitário São Francisco de Assis, doado ao Governo que o transformou no hospital regional Fogo/Brava, a “vinha Maria  Chaves”, a adega de Monte Barro, a construção da unidade turística “Casas do Sol”, o auditório padre Pio Gottin, a formação profissional, a construção do primeiro Centro de Cuidados Paliativos de Cabo Verde (em curso) para acolhimento e tratamento de doentes na fase terminal, o financiamento de projecto das pescas são algumas das realizações a nível da ilha.

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