"Até agora, o número de mortos atinge os 137 e há mais de 5.000 feridos", anunciou na manhã desta quinta-feira (06.08) o ministro da Saúde libanês, Hamad Hassan, acrescentando que um novo balanço pode ser anunciado durante o dia.

As enormes explosões, que as autoridades dizem ter sido causadas por um incêndio num armazém que abrigava uma grande quantidade de nitrato de amónio no porto de Beirute, deixaram também cerca de 300.000 pessoas sem casa.

O ministro adiantou que os trabalhos continuam a decorrer na tentativa de encontrar sobreviventes entre os escombros, acrescentando que estão a ser feitos contactos com países árabes e europeus para garantir a chegada de assistência médica ao país. As autoridades libanesas estão já a determinar as necessidades imediatas e a instalar hospitais de campanha.

Por outro lado, um responsável libanês indicou que o Conselho de Ministros realizado na quarta-feira mostrou que o Líbano quer realmente responsabilizar os culpados pelas explosões, tendo decidido impor prisão domiciliária aos acusados, além de declarar estado de emergência em Beirute.

Na terça-feira, uma explosão no porto de Beirute seguiu-se a um incêndio suspeito de estar ligado a uma segunda explosão por motivos ainda não determinados. A explosão levou à deflagração de 2.750 toneladas de nitrato de amónio que estavam no porto de Beirute, segundo o Governo. A explosão gerou uma grande onda de choque que afetou milhares de casas e prédios, destruindo janelas e paredes, deixando grande parte da população daquela zona da cidade desalojada.

As autoridades de Beirute informaram que os danos podem atingir um valor entre os 2,5 e os 4,5 milhões de euros e acrescentou que ainda há cerca de 100 pessoas desaparecidas.

Comunidade internacional mobiliza-se

O país determinou luto oficial de três dias, a partir de quarta-feira, e a capital libanesa está sob supervisão das Forças Armadas, encarregadas de manter a ordem.

Vários países já enviaram ajuda de emergência para o país. O Qatar enviou hospitais móveis, geradores e outros materiais, enquanto a Argélia vai enviar quatro aviões e um navio com ajuda humanitária, equipas médicas e bombeiros.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), por sua vez, comprometeu-se a enviar, do Dubai, kits de trauma e cirúrgicos.

Também a Alemanha enviou dezenas de especialistas de busca e salvamento para encontrar sobreviventes presos sob os escombros, após a explosão.

Entretanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, chegou esta manhã ao Líbano, para se encontrar com vários responsáveis políticos libaneses e apresentar o apoio da França. Macron irá diretamente para o porto, local das explosões, devendo encontrar-se, durante o dia com os principais responsáveis libaneses, políticos e "representantes dos movimentos civis”.

Também na manhã desta quinta-feira, a União Europeia (UE) anunciou que vai enviar 33 milhões de euros de ajuda de emergência para o Líbano, para além de equipas e meios técnicos.

Para além da verba, prometida pela presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, numa conversa telefónica com o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, a UE colocou à disposição de Beirute equipas especializadas na deteção química, biológica, radiológica e nuclear e um navio militar com capacidade de helicóptero para evacuação médica, e equipamento médico e de proteção.

A UE destacou já mais de 100 bombeiros altamente treinados de busca e salvamento, com veículos, cães e equipamento médico de emergência. Foi também anunciada a mobilização de peritos e equipamento para ajudar a avaliar a extensão dos danos e manusear substâncias perigosas como o amianto e outros produtos químicos.

por: Agência Lusa, mjp

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.