No incidente desta terça-feira, 24, outros 64 etíopes morreram por asfixia no contentor transportado por um camião, cujo destino era alegadamente África do Sul.

Os sobreviventes estavam profundamente traumatizados e desidratados.

“Estamos em contato com as autoridades moçambicanas, nomeadamente o Serviço Nacional de Migração (Senami) para avaliar as necessidades básicas dos sobreviventes, garantia de saúde, alimentação e vestuário”, garante à VOA Sascha Nlabu, gestor de projecto na OIM, em Maputo.

Quanto ao futuro dos 14 sobreviventes, ele diz que “haverá uma avaliação exaustiva da situação, na qual iremos saber se eles pretendem ficar em Moçambique, e nesse caso serão referidos às autoridades que lidam com o asilo”.

Regresso voluntário

Outra possibilidade, diz Nlabu, é facilitar o seu regresso voluntário ao país e reintegração.

Tal, explica Nlabu, faz parte de um programa-piloto da OIM, que desde 2018 “apoiou o regresso voluntário de mais de 400 cidadãos do Malawi, Burundi, Etiópia, entre outros países”.

Ele ressalva que esse programa não está ligado a qualquer medida de deportação.

Ainda em fase preliminar e relacionado com o incidente em referência, Nlabu diz que foram iniciados contatos com o Consulado da Etiópia em Pretória e com o escritório da OIM em Adis Abeba, que fará a ligação com as autoridades locais.

A OIM diz que Moçambique está localizado ao longo de um corredor de migração – Rota do Sul – que muitas vezes serve a migrantes do corno de África a caminho da África do Sul em busca de oportunidades de proteção, econômicas e educacionais.

Nlabu diz que uma das abordagens da OIM é a divulgação de informação para a redução da incidência da migração irregular, na qual “as pessoas recorrem a traficantes que os colocam em risco de exploração, abuso e morte, como é o caso agora verificado aqui em Moçambique”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.