Em entrevista ao jornal Expresso das Ilhas desta quarta-feira, Carlos Veiga, que é embaixador de Cabo Verde não permanente em Israel, disse que desde a independência o país tem estado a votar “sistematicamente contra Israel”, sem analisar.

“A nossa relação com Israel tem tudo para dar certo. Israel tem coisas muito semelhantes às nossas, nomeadamente a aridez das suas terras, insuficiência de chuvas, mas suplanta tudo isso com uma tecnologia que é das mais avançadas do mundo”, afirmou o chefe da representação de Cabo Verde em Washington (Estados Unidos da América), destacando que aquele país tem uma “resiliência que advém da sua capacidade de se organizar para enfrentar desafios maiores que possam existir”.

Segundo Carlos Veiga, Israel está à frente na formação superior dos seus quadros em áreas que podem ser importantes para Cabo Verde.

“…É um parceiro que está bem enquadrado connosco”, indicou Carlos Veiga, lembrando que os cabo-verdianos têm uma “herança judaica que é muito apreciada também por Israel”.

A cooperação com Israel, prossegue, pode ser importante, “mas ela tem que ser “global, política também”.

“Nós temos que dialogar politicamente com Israel, não quer dizer que vamos aceitar todas as posições de Israel. Mas temos que saber posicionarmos”, enfatizou o embaixador não residente de Cabo Verde em Telavive, lembrando que quando todos impediam os aviões da África do Sul de aterrar em África, o arquipélago aceitou, porque isso era do “interesse nacional”.

“Quando todos diziam que a ajuda alimentar não podia ser vendida, nós vendemos, para construirmos infra-estruturas, para darmos emprego às pessoas e dar-lhes uma condição de vida digna e avançamos”, exemplificou, deixando entender que é assim que Cabo Verde tem que fazer, ou seja: “dialogar politicamente com Israel, ver com razoabilidade e em consideração do nosso interesse nacional”.

Na sua perspectiva, o que é importante é “tentar ajudar que haja paz nessa região”, entre israelitas e palestinianos.

“Acho que toda a gente ganharia; os palestinianos também ganhariam bastante. Também para os palestinianos terem um parceiro como Israel seria muito bom em termos de melhoria das suas condições de vida. Israel poderia também mais à vontade e não ter que estar sempre na defensiva”, pontuou Carlos Veiga.

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