A sessão parlamentar de outubro, que marca o início do ano político em Cabo Verde, arrancou hoje e prolonga-se até sexta-feira, acontecendo cerca de uma semana depois de o Instituto Nacional de Estatística ter anunciado que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 6,2% no segundo trimestre, face ao mesmo período de 2018.

“O ano político que ora inicia trouxe excelentes notícias para o povo cabo-verdiano e naturalmente para o Governo e o MpD”, afirmou o deputado João Gomes, na declaração política do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD), que suporta o executivo liderado por Ulisses Correia e Silva.

O ano político de 2018/2019 terminou a 31 de julho, com o discurso anual sobre o estado da Nação, pelo primeiro-ministro.

Na intervenção de hoje, o deputado do MpD acusou ainda, a propósito dos números sobre o crescimento, que os “adversários políticos” do Governo e do partido maioritário “não terão gostado muito desta notícia e apressaram-se a tentar desvalorizá-la a todo o custo”.

“Uns, embora reconhecendo que o crescimento atual da economia é muito diferente do passado para melhor, dizem que não chega às famílias e outros, para não reconhecerem a realidade que só lhes ficaria bem, tentam inclusive, pôr em causa o trabalho de instituições nacionais idóneas, mas o povo já está habituado”, criticou.

Segundo João Gomes, “essa parte da oposição teima em reconhecer o mérito das instituições, sejam quais forem, apenas e só, se da atividade destas resultar benefícios para o partido a que pertencem”.

Como exemplo, afirmou que a economia cabo-verdiana está a crescer “de forma sustentável”, chegando a ser “cerca de seis vezes mais do que crescia no período 2012/2015”, numa alusão ao período de governação do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Já o PAICV, que lidera a oposição no parlamento, voltou a criticar a opção do Governo com o novo modelo de transporte marítimo entre ilhas, em vigor desde agosto e liderado pela CV Interilhas, empresada cabo-verdiana detida em 51% pela portuguesa Transinsular.

“No setor dos transportes marítimos o caos instalado é total”, acusou o deputado Nuias Mendes Barbosa da Silva, na declaração política do PAICV.

E acrescentou: “Ao invés de [o Governo] investir, prefere a lógica facilitista de entregar tudo, de graça, nas mãos de empresas estrangeiras, sem contratos e sem acautelar o interesse público nacional, relegando as nossas empresas nacionais para um plano de inferioridade, quando o que precisavam era de apoio para assunção, na plenitude, do setor”.

Além das críticas ao funcionamento do novo regime de concessão do transporte marítimo, o partido afirma que as características de Cabo Verde demandam do Estado “a necessidade de investir” para garantir “serviços de transporte regulares, seguros e a preços justos”.

“Infelizmente o Governo não tem feito isto. A situação no setor dos transportes é reveladora da desgovernação que o país vem vivenciando nestes últimos 3 anos e meio, com o Governo do MpD, que para proteger o interesse ou interesses de uma classe próxima do partido, vende, ao desbarato, os ativos do país, que tanto custaram a gerações a sua edificação. Com isto não protege o interesse nacional e nem protege as gerações vindouras”, apontou.

Numa intervenção voltada para a situação dos transportes, o deputado do PAICV denunciou ainda o “sofrimento” da população com “o alto preço dos bilhetes nos voos domésticos, por causa do monopólio privado”.

“Um governo sem rosto humano e que não zela pelos reais interesses da nação”, concluiu Barbosa da Silva.

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