Carlos Lopes fez esta apreciação em declarações à imprensa no final de um debate sobre “África na era da integração comercial. Será este o novo Pan-Africanismo?”, organizado pelo Instituto Pedro Pires para a Liderança no âmbito da IV edição do Annual Lectures.

Para este economista, hoje em dia o “braço principal” de transformação do Continente Africano é a integração continental, porque só assim África poderá negociar com outros parceiros mundiais, na sua óptica não é em pé de igualdade, mas em pé de força.

No seu entender, África tem várias oportunidades e uma delas é a demografia, uma vez que a nível mundial há um envelhecimento “muito grande” das populações nos países com economias “mais maduras”, enquanto África tem uma população jovem e deve aproveitar desta oportunidade.

Com esta integração, Carlos Lopes referiu que haverá um “aumento e um crescimento” da economia africana, mas também há possibilidade de criar mercados internos que permitem “isolar a indústria africana nascente da concorrência internacional”.

Com o acordo comercial, apontou ainda que vão ter uma “tarifa harmonizada” e uma “redução drástica” para muitas das categorias de exportação para zero.

“Significa que o mercado africano passa a ser muito atractiva e mesmo os investidores externos vão querer considerar muito mais facilmente um investimento num país pequeno porque esse país pequeno não é visto isoladamente, mas como fazendo parte de um corpo muito maior onde se pode exportar” sublinhou.

A mesma fonte referiu ainda que querem que a África aumente a sua participação no comércio mundial, mas, defendeu que se faça isso com um “músculo diferente”, isto é, que não seja dependente de matérias-primas, e para isso sugeriu que a África precisa criar oportunidade para acrescentar valor.

Valor este que pode ser acrescentado através do comércio entre os próprios países africanos, indicou.

“Dito isto, nós temos acordos que existem que pré-datam a criação dessa zona livre de comércio que precisam ser harmonizados, alguns com mais facilidades do que outras. No caso da União Europeia nós temos muitos acordos parcelados, atomizados que precisam ser harmonizados num único acordo”, frisou.

Para além dos acordos comercias, afirmou que a questão da mobilidade é “muito importante” para esta integração.

Neste momento, fez saber que há um protocolo adicional negociado pela União Africana sobre a livre circulação de pessoas no espaço africano, mas que até agora apenas 27 países assinaram o protocolo de livre circulação de pessoas.

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