Em carta enviada à agência Lusa, Victor Diouf invoca a sua condição de membro do Comité Central (órgão deliberativo entre congressos) do PAIGC para participar, junto do conselho de jurisdição do partido, contra Cipriano Cassamá.

A queixa também é extensível a cinco outros deputados do PAIGC que, na segunda-feira à noite, aprovaram o programa do Governo do primeiro-ministro, Nuno Nabian, contrariando as orientações da direção.

Luís Leopoldo de Jesus, Braima Djalo, Leopoldo da Silva, Saliu Embaló e Mamadi Balde são os cinco deputados do PAIGC que votaram a favor do programa de Governo.

Na carta, Victor Diouf considera que o comportamento de Cipriano Cassamá e dos cinco deputados representa “grosseira violação da disciplina partidária” e “suscetível de comprometer todos os objetivos” do partido, podendo “causar danos irreparáveis às pretensões futuras” do PAIGC.

O dirigente pede, assim, ao órgão jurisdicional do partido que instaure um processo disciplinar aos seis deputados e consequentemente que os puna, conforme os estatutos.

Ao reagir sobre a presença dos deputados do PAIGC na sessão que culminou com a aprovação do programa do Governo de Nuno Nabian, o líder da bancada parlamentar do partido, Califa Seidi, disse que o assunto é passível de apreciação pelos órgãos internos do partido.

Também admitiu uma ação judicial para pedir a impugnação da própria sessão, alegando irregularidades na constituição da mesa que presidiu aos trabalhos.

Califa Seidi apontou que a sessão não poderia ter lugar, entre outros motivos, pela falta das duas secretárias que integram a mesa, ambas eleitas pelo PAIGC, que antecipadamente comunicaram ao líder do parlamento que não estariam na plenária.

Cipriano Cassamá presidiu à sessão, conforme disse, para assumir as suas responsabilidades enquanto líder do parlamento, mas enquanto deputado do PAIGC votou contra o programa de Governo de Nuno Nabian.

O programa do Governo de Nuno Nabian foi aprovado na segunda-feira com os votos a favor dos 27 deputados do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), 21 do Partido de Renovação Social, cinco do PAIGC, um da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) e um do Partido da Nova Democracia.

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