Um total de dezanove construções estão a ser edificadas neste momento em Chã das Caldeiras, cerca de seis meses após a ocorrência da última erupção vulcânica, que destruiu as principais povoações e as infra-estruturas económicas e sociais da localidade.

De entre as construções constam as habitações tradicionais denominados “funcos” , para abrigar as pessoas que estão a realizar a faina agrícola, mas também alguns empreendimentos turísticos para acolher os muitos turistas que visitam a localidade de Chã das Caldeiras, o ponto mais turístico da ilha do Fogo e que depois das duas últimas erupções conheceu um incremento na demanda de turistas.

Perante a "inércia" das autoridades em definir o modelo de ocupação e o futuro para Chã das Caldeiras, as pessoas estão a avançar com a edificação dos seus espaços, na maioria dos casos em cima das lavas da última erupção vulcânica.

Os operadores turísticos afirmam que, no sector do turismo, se num período de seis meses, por exemplo, uma unidade deixar de receber os turistas, estes vão procurar outros parceiros, razão pela qual querem investir na construção de quartos para continuar a receber a clientela.

Um dos empreendimentos em construção é do casal Marisa e Mustafá, que antes da erupção tinha dois empreendimentos com 22 quartos e dois restaurantes e garantia emprego a 16 pessoas, que pretende edificar sobre as lavas entre 12 a 14 quartos e um restaurante, sendo que as obras já se iniciaram.

Inicialmente pretendiam construir com recursos a material desmontável, mas depois de feitas as contas optaram pela construção sólida já que este tipo de construção é mais barata.

A aquisição dos materiais para a montagem de uma unidade com 12 quartos e um restaurante vai custar cerca de 15 mil contos, sem contar com o transporte de Europa para Cabo Verde, mais o valor dos despachos e dos impostos e não há garantia de qualquer tipo de apoio por parte do Governo em isentar as pessoas,  ao menos nas alfândegas e nos impostos, disse Mustafá Eren.

Apesar de ser uma zona de risco as pessoas que iniciaram as construções afirmam “confiar mais no vulcão do que no serviço de protecção civil e no governo”, já que, segundo as mesmas, o vulcão pode destruir os investimentos mas dá muito mais, enquanto as autoridades prometem e nunca cumprem as suas promessas, pelo menos em relação às pessoas de Chã das Caldeiras.

Com a construção de acesso via norte e uma boa organização do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros para que esteja preparado para evacuar a localidade num curto espaço de tempo, não haverá problemas de maior, afirmam algumas das pessoas que já estão a construir em Chã das Caldeiras.

Inforpress

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