Instalado no Hospital Central da Praia – Hospital Dr. Agostinho Neto, o Centro Nacional de Diálise segue atualmente mais de 140 doentes que três vezes por semana ali vão fazer o tratamento contra a insuficiência renal de que padecem.

Recentemente, o jornal cabo-verdiano “A Nação” revelou queixas da Associação dos Doentes Renais (ADR) de Cabo Verde que se manifestou preocupada com o que chamava de “degradação” deste centro de diálise.

Para resolver a situação, a associação defendia a autonomia do Centro, para se evitar o seu “constante deterioramento”, segundo o jornal.

A direção do hospital refutou as críticas e hoje mostrou as instalações daquela unidade de saúde a representantes da sociedade cabo-verdiana, como a Associação de Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), a Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC), a Associação para Defesa do Consumidor (ADECO) e a Ordem dos Médicos, entre outros.

Segundo o diretor do Hospital Central da Praia, Júlio Andrade, o centro Nacional de Diálise tem “todo o conforto” e os doentes são seguidos com “todas as condições”.

“Gostaria de ter uma casa como o nosso Centro Nacional de Diálise”, afirmou, enaltecendo o esforço que tem sido feito, nomeadamente pelos profissionais de saúde no sentido de acompanhar os doentes ali seguidos e que são cada vez mais.

Este centro teve um custo final de 1,6 milhões de euros, dos quais 70% foram comparticipados pelo Estado português. A sua construção evitou a transferência de dezenas de doentes para tratamentos de diálise em Portugal.

Contudo, enquanto a transplantação renal não for uma realidade em Cabo Verde, serão cada vez mais os doentes ali seguidos, o que é acompanhado por uma igual subida da despesa.

Entre 2013 e 2018, a despesa passou de 20 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 181 mil euros) para 200 milhões de escudos (perto de 1,8 milhões de euros).

Em Cabo Verde, a diálise consome entre sete a oito por cento do orçamento geral da Saúde.

Segundo Júlio Andrade, cada doente de diálise custa dois milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de 18.000 euros) por ano.

O diretor hospitalar garantiu ainda que apesar dos seus elevados custos, os medicamentos têm chegado aos doentes e que se existiram faltas foram pontuais e resolvidas.