Jorge Carlos Fonseca, que falava no final da XII conferência de chefes de Estado e de Governo da comunidade lusófona, em Santa Maria, ilha do Sal, relatou que, com base em “contactos” realizados antes, avançou com “a proposta da candidatura angolana” à realização da próxima cimeira da CPLP, em 2020, e consequente presidência da organização no biénio seguinte.

“Fui secundado por mais dois chefes de Estado”, entre os quais de Portugal, disse o chefe de Estado cabo-verdiano, presidente em exercício da CPLP no próximo biénio.

“Angola aceitou e foi uma proposta aceite por unanimidade. Se me lembro bem, até por aclamação”, adiantou.

A escolha de Luanda decorreu durante a sessão restrita, no início do segundo e último dia de trabalhos da cimeira, em que apenas participaram os chefes de Estado e de Governo, a secretária-executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, e os ministros dos Negócios Estrangeiros ou das Relações Exteriores dos nove Estados-membros.

“Não houve, durante a reunião restrita, nenhuma outra candidatura proposta”, afirmou.

Questionado se tinha conhecimento da intenção de a Guiné Equatorial apresentar uma candidatura para acolher a próxima cimeira, dentro de dois anos, comentou ter ouvido isso “nos corredores”.

À pergunta sobre o motivo de o Presidente equato-guineense se ter ido embora depois da sessão restrita, Jorge Carlos Fonseca disse que Teodoro Obiang Nguema tinha manifestado a intenção de sair de Cabo Verde ainda na terça-feira à noite, mas “fez questão de estar presente ainda hoje de manhã e ele mesmo, em nome da Guiné Equatorial, apoiou a escolha de Angola”.

“Depois, disse-me que teria de regressar [à Guiné Equatorial] antes do almoço”, indicou.

Obiang e também o Presidente brasileiro, Michel Temer, não estiveram presentes na sessão de encerramento, que decorreu hoje à tarde.

“O Presidente Temer também era para sair mais cedo, mas fez questão de estar na sessão restrita”, acrescentou.

A secretária-executiva mencionou que o Presidente Obiang “informou que tem a decorrer no seu país um diálogo nacional com os atores políticos” e o chefe de Estado brasileiro “também tinha um compromisso”.

Durante a XII conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu entre terça-feira e hoje, Cabo Verde assumiu a presidência rotativa da organização, por um período de dois anos, e com o lema "Cultura, Pessoas e Oceanos.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os Estados-membros da CPLP.