Até agora, numa população de mil e 300 milhões de pessoas, as 137 mortes representam apenas 0,4% do total das vítimas de COVID-19 no mundo, mas a OMS e váris especialistas advertem que a propagação massiva da pandemia pode ser desastrosa em países com precários sistemas de saúde.

Para complicar ainda mais a situação, os doadores internacionais que respondem em casos de tragédias estão atolados nas suas próprias crises sanitárias e financeiras.

Numa entrevista recente ao jornal francês Le Monde, o ginecologista congolês e prémio Nobel da Paz de 2018, Denis Mukwege, alertou para a necessidade de ações rápidas para evitar uma “hecatombe”.

“Sensibilizámos à população a noção de distanciamento social. Um comité de resposta foi criado. As províncias também estão se organizando, e células de crise estão a ser criadas em todos os lugares. É preciso agir rápido se quisermos evitar uma hecatombe”, disse ao referir-se ao seu país, a República Democrática do Congo (RDC).

O médico é peremptório ao afirmar que os países africanos “não têm meios para enfrentar a pandemia”.

“Alguns países são mais afetados que outros, nomeadamente a África do Sul, com mais de 400 casos, Argélia, com 230 casos, Marrocos, com 143 casos, Senegal, com 79 casos. A doença está, portanto, a progredir extremamente rápido e estou muito preocupado”, alertou Mukwege.

A OMS informoju que muitos países africanos estão preparados para realizar testes, mas desconhe-ce a quantidade de testes disponíveis.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse recentemente que a África tem necessidade urgente de kits, máscaras, ventiladores e equipamentos de proteção para profissionais de saúde.

Entre os países lusófonos, segundo dados oficiais, a Guiné-Bissau e Moçambique têm oito casos positivos cada, Angola tem sete e Cabo Verde seis.

Angola registou até agora duas mortes, dois cidadãos nacionais que regressaram de Portugal, e em Cabo Verde morreu um turista inglês.

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