Fazendo uma análise da situação que o País vive neste momento, devido à pandemia do novo coronavírus, Pedro Pires disse, em declarações à Inforpress, que esta crise sanitária traz consigo dificuldades de várias ordens, para as quais é preciso encontrar soluções.

“Os desafios sanitários é uma das manifestações das crises que nós nos encontramos, mas teremos que analisar as consequências que são várias na área da economia, do emprego, da educação, social e são essas consequências que teremos de tentar identificar e tentar resolver”, afirmou.

Esta situação, sublinhou, é “bastante complexa”, uma vez que na área económica há empresas em riscos, há empresas que fecharam, há pequenas e microempresas que suspenderam as suas actividades e há um aumento do desemprego que, consequentemente, pode levar a um aumento da pobreza.

Tudo isto, para o combatente da liberdade da pátria, traz desafios na área da segurança pública, do comportamento das pessoas e de meios necessários para este combate, que considerou não ser um combate individual, mas sim colectivo.

“São desafios que englobam todos nós e toda a sociedade e interpela-nos qual é o papel de cada um de nós para ultrapassarmos essa solução complicada”, sublinhou.

Pedro Pires acredita que todos os intervenientes, desde técnicos de saúde, pessoas ligadas à segurança pública, à protecção civil e o Governo, têm procurado fazer o melhor dentro das limitações do País.

Ainda, acrescentou, foi feito um “esforço grande” de equipar o País e os serviços de saúde com instrumentos e meios necessários.

“Certamente, não temos tudo, mas temos o necessário para enfrentar a situação e poder vencê-la. Temos que ter em conta às nossas limitações. Se se podia fazer melhor, eu acredito que sim, e o que eu diria hoje à liderança do País, que se concentre no combate ao coronavírus e que coloque como questões secundárias outros objectivos”, aconselhou.

Aos cabo-verdianos, Pedro Pires pede uma maior responsabilidade individual e que respeitem as restrições obrigatórias para reduzir ao mínimo os riscos de contágios.

Sendo que este combate ultrapassa Cabo Verde, Pedro Pires defendeu que os países com mais recursos, mais meios tecnológicos e conhecimento são igualmente responsáveis para se encontrar uma solução.

“Se restar um país ou uma região com covid-19, nenhum país estará livre. É um desafio global e só juntos, que poderemos resolver”, advogou.

Instando a comentar sobre os sucessivos estados de emergência, que para alguns não eram necessários naquela altura, mas sim agora que o País regista um aumento de casos, Pedro Pires defendeu que não se deve condenar os que na busca de soluções optaram por aplicar “certas medidas que pudessem ser ou que pareciam ser as melhores”.

“Há que ter em conta que não é possível manter o estado de emergência por todo o tempo, os custos sociais e económicos são enormes e as consequências são pesadas. Eu entendo que não se pode voltar atrás em matéria de estado de emergência e de confinamento, o que se deve exigir as pessoas é o respeito das regras mínimas de segurança sanitária, física e outras”, acentuou.

O actual presidente da Fundação Amílcar Cabral defendeu que é preciso alimentar sempre a esperança de que o País e o mundo irão vencer essa situação, que exige um “amadurecimento rápido e uma responsabilização dos jovens”.

O mesmo pede aos jovens que participem de forma “activa e persistente” na construção deste futuro que os pertença e que agarrem essa missão dramático que assola a vida da humanidade.

O país regista neste momento um acumulado de 1.382 casos diagnosticados de covid-19 desde 19 de Março, com 15 óbitos, mas 654 já foram dados como recuperados (47%), mais 11 do que no dia anterior, segundo o diretor nacional de Saúde.

Em isolamento encontram-se 711 doentes, dos quais 23 são doentes mais graves e que estão internados, um deles em estado crítico no Hospital Agostinho Neto, na Praia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 521 mil mortos e infectou mais de 10,88 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em África, há 10.658 mortos confirmados em 433.500 infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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