Adiato Baldé, da Guiné-Bissau, licenciou-se em Farmácia e especializou-se em regulamentação de medicamentos e produtos de saúde. Atualmente, trabalha na área regulamentar das indústrias farmacêuticas, em Londres, no Reino Unido. Com a pandemia de Covid-19, decidiu pôr mãos à obra e criar desinfetantes com produtos naturais que possam servir para desinfetar as mãos e objetos em casa, sem descurar a lavagem frequente das mãos, uma das medidas mais recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para travar a propagação do novo coronavírus.

DW África: Como surgiu esta ideia?

Adiato Baldé (AB): A ideia da criação de desinfetantes teve muito a ver com a situação que estamos a viver. Essa situação fez com que os supermercados e outros fornecedores ficassem sem desinfetantes, o que me fez ter essa ideia de criar algo natural. Algo que nos pudesse ajudar com os produtos que temos em casa, que pudesse ter algum efeito e ajudar no combate à pandemia. Daí que criei essa fórmula constituída por ingredientes naturais, mas que individualmente têm propriedades anti-bacteriana, fúngica e anti-viral comprovada.

A fórmula é algo que eu inventei, constituída 60% de gel aloe vera, 15% de extrato de hamamélis e 15% de vinagre de maçã, glicerina, óleo de vitamina E, óleo essencial de limão, óleo essencial de melaleuca, óleo essencial de eucalipto. O extrato de hamamélis que eu utilizei nesta formulação foi extraído com etanol, portanto, de certa forma acaba por ter um bocadinho de álcool na sua composição, por causa da forma como foi feita a sua extração da planta.

O vinagre é ácido acético e os ácidos queimam. Então, temos aí um bom fator protetor. A glicerina e a vitamina E são essencialmente humectantes/emolientes e sua introdução na formulação foi mesmo só com a intenção de manter as mãos hidratadas, para que as mãos não ressequem tanto.

Os óleos essenciais escolhidos constam da lista dos que têm maiores propriedades contra micro-organismos. São ingredientes que podem ser encontrados em qualquer desinfetante que existe no mercado. Entretanto, devido à situação em que nos encontramos, fui obrigada a criar algo que pudesse ajudar, principalmente porque o álcool transformou-se num bem de primeira necessidade que se encontra indisponível. Neste momento, não tenho como fazer envios para fora do Reino Unido, então resolvi partilhar convosco a minha fórmula. É simples e fácil de fazer, podem criar o vosso em casa.

DW África: São desinfetantes que possam ser feitos na Guiné-Bissau, tendo em conta a realidade do país?

AB: É uma recomendação para quem não tem acesso a álcool, a lixívia, como no caso da Guiné-Bissau. Então, pode criar uma fórmula dessas em casa, se tiver, obviamente, os ingredientes e pode minimamente usá-lo neste período.

DW África: Como é que as pessoas podem comprar estes desinfetantes?

AB: Tenho uma empresa de cosméticos naturais, que tem uma loja online onde vendo produtos essencialmente para pele e cabelo. Com a pandemia, decidi avançar para os desinfetantes. Com a atual situação, só consigo fazer a entrega no Reino Unido. Os correios estão a funcionar a meio gás e as fronteiras também estão fechadas.

DW África: As pessoas confiam e estão a comprá-los?

AB: A fórmula desse desinfetante não foi aprovada por nenhuma autoridade competente, é algo que eu criei usando como base as propriedades dos ingredientes. Como tenho feito dois desinfetantes, um com os ingredientes naturais que todos temos na nossa cozinha e outro com a fórmula standard, com álcool na sua composição, as pessoas estão a comprar mais o que tem o álcool para desinfetar as mãos. Nesse último, em que segui as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas fiz uma pequena alteração adicionando os óleos essenciais de limão e de laranja para um cheio mais agradável, porque o álcool que eu utilizei é forte. A fórmula natural está a ser utilizada apenas para desinfetar maçanetas de portas, teclados de computador, telemóveis e os objetos que tocamos diariamente com superfícies metálicas.

DW África: Qual é a sua capacidade de produção?

AB: Neste momento, não é muita. Produzo 100% em casa. Mas não é um processo complicado. O problema neste momento é ter o acesso aos ingredientes, principalmente o álcool. Porque não há mesmo. O último stock que consegui já está praticamente a acabar e está a ser difícil encontrar ingredientes. Alguns dos meus fornecedores estão já a ter problemas em fazer a entrega devido à situação que estamos a viver.

por: Braima Darame

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