A medida entrou em vigor às 00:00 desta quinta-feira (24.03) e vai vigorar até às 00:00 horas de 16 de abril. O confinamento nacional foi decidido pelo Conselho de Comando Nacional para a epidemia da Covid-19, anunciou Cyril Ramaphosa, numa comunicação ao país.

"Ninguém poderá sair de casa, exceto em circunstâncias excecionais", explicou o chefe de Estado sul-africano. Hospitais, clínicas, farmácias e supermercados vão permanecer abertos.

"Os próximos dias são cruciais, isto representa um perigo para uma sociedade como a nossa com elevados níveis de pobreza, malnutrição e infeção de HIV/sida", alertou.

O Presidente da República sublinhou ainda que o confinamento nacional "é uma medida decisiva que visa salvar milhares de sul-africanos da infeção e salvar centenas de milhar de pessoas."

"Funcionários da saúde no setor público e privado, serviços de emergência e de segurança, polícia e forças armadas, e outras pessoas necessárias na resposta à pandemia são exceção", adiantou.

É preciso agir com urgência

"A nossa análise da evolução da epidemia diz-nos que temos que agir com urgência e escalar drasticamente a nossa resposta", afirmou.

O presidente sul-africano disse que o Governo identificou instalações temporárias para os sem abrigo, assim como locais para quarentena e isolamento social, para pessoas sem possibilidade de o fazer em casa.

"As empresas que são essenciais à produção e transporte alimentar, bens essenciais e ao fornecimento de bens de saúde, vão permanecer no ativo", declarou.

Na comunicação ao país, o Presidente informou que o Governo iniciou o abastecimento de água a áreas rurais e zonas urbanas de habitação informal, onde a falta de serviços públicos, de água e saneamento, tem sido gritante durante a gestão pública do partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC).

No sentido de mitigar a evolução do surto do novo coronavírus na África do Sul, o chefe de Estado anunciou ainda o destacamento do exército para assistir as forças policiais a garantir o cumprimento das medidas anunciadas.

Aumento de casos

A declaração do chefe de Estado ocorreu no dia em que a África do Sul confirmou 402 casos positivos de infeção pela covid-19 nas nove províncias do país, tendo como epicentro a província de Gauteng, envolvente a Joanesburgo e Pretória, com 207 casos positivos.

"Na África do Sul, o número de casos confirmados aumentou de 61 para 402 em apenas oito dias", salientou Ramphosa. "Estou preocupado com o facto de a rápida propagação do número de infeções vir a afetar o nosso sistema nacional de saúde para além daquilo que é a nossa capacidade de oferta e por haver muitas pessoas que vão ficar sem acesso a serviços de saúde", frisou.

Além do confinamento nacional por 21 dias, o Presidente da República sul-africano anunciou também que os cidadãos sul-africanos oriundos de países de elevado risco de contaminação pelo novo coronavírus serão submetidos a uma quarentena de 14 dias.

"Os estrangeiros que chegaram ao país em voos provenientes de países de elevado risco que proibimos há uma semana atrás, serão obrigados a regressar imediatamente", declarou.

Os voos internacionais a partir do aeroporto de Lanseria [norte de Joanesburgo] serão suspensos temporariamente, segundo Ramaphosa. Os estrangeiros que entraram na África do Sul depois de 9 de março provenientes de países de elevado risco de contaminação do surto pandémico, ficarão confinados aos seus hotéis por um período de quarentena de 14 dias.

Impacto na economia

O chefe de Estado admitiu que, além da covid-19, o país se vê confrontado "com a perspetiva de uma recessão económica que encerrará muitos negócios e postos de trabalho".

Nesse sentido, Ramaphosa anunciou a criação de um Fundo de Solidariedade [www.solidarityfund.co.za] para mitigar o impacto do surto na economia do país, tendo o Governo contribuído com 150 milhões de rands (7,9 milhões de euros) para o arranque a iniciativa público-privada.

O novo coronavírus, que surgiu na China e é responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 345 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

por: Agência Lusa, ms

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