De acordo o governante, Cabo Verde, na qualidade anfitrião do encontro, tinha que fazer esse investimento, já que o evento que reuniu os chefes de Estado de Governo de todos os países da CPLP, com exceção de Timor Leste, assim exigia.

“Nós trouxemos muita logística da cidade da Praia, o pessoal de segurança para criar as condições para acolher bem os Chefes de Estado e os convidados”, disse Luís Filipe Tavares que considerou “um sucesso” o evento, que decorreu num dos hotéis da maior ilha turística cabo-verdiana.

De acordo como o diretor nacional Adjunto da Polícia Nacional (PN), da cidade da Praia foram mais de 200 efetivos da Polícia Nacional, bem como meio de mobilidade, já que a ilha não dispunha de pessoal especializado para garantir a segurança das altas entidades que se deslocaram ao Sal para participar no evento.

Para além dos 40 mil contos suportados por Cabo Verde, houve outros gastos que foram suportados pelo secretariado executivo da CPLP que tem sede em Lisboa.

A plenária da XII Cimeira aconteceu nos dias 17 e 18 de julho, mas o evento foi precedido de várias reuniões técnicas e no dia 16 foi realizado o Conselho de Ministros que reuniu também diplomatas dos nove países integrantes da CPLP para a preparação das resoluções que foram aprovadas pelos chefes de Estado e do Governo.

Várias centenas de pessoas estiveram envolvidas nesse evento que culminou com a aprovação da Declaração de Santa Maria, composta por 88 pontos, e assinada pelos presidentes da República de Angola, João Lourenço, do Brasil, Michel Temer, de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, da Guiné-bissau, José Mário Vaz, da Guiné-Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e de São Tomé Príncipe, Evaristo de Carvalho.

O documento foi ainda assinado pelo primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, pelo primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Dionísio Soares.

No documento foi reafirmado o compromisso com a defesa e a promoção dos direitos humanos no âmbito da CPLP, enquanto pilares da dignidade humana e do bem-estar das populações dos Estados-Membros, objetivo central de todos os esforços de cooperação intracomunitária.

Foi reiterado que a mobilidade e a circulação no espaço da CPLP constituem um instrumento privilegiado para o melhor conhecimento mútuo dos países da Comunidade e a progressiva construção de uma cidadania da CPLP, ou seja, de um espaço onde os seus povos se revejam.

Durante a XII Cimeira foi aprovada a candidatura de Angola para a próxima presidência da CPLP e eleito o novo secretário executivo da CPLP, que recaiu sobre o embaixador português, Francisco Ribeiro Teles.

Foi também aprovada a concessão da categoria de observadores associados da CPLP a países como Chile, Sérvia, Argentina, Itália, Andorra, França e Grão-Ducado do Luxemburgo e à Organização dos Estados Ibéro-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura, na categoria de assessor associado da CPLP.

A Cimeira foi ainda palco da assinatura de um compacto financeiro para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), “iniciativa singular” do Banco Africano do Desenvolvimento (BAD), rubricado pelo presidente do banco, sediado em Abidjan, e pela secretária executiva da CPLP.

A Cimeira decidiu ainda expressar um voto de louvor à secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, pela “dedicação e elevada competência e determinação” com que vem servindo a Comunidade ao longo do seu mandato, mas também pelo “empenho na efetivação da nova visão estratégica” da CPLP e na projeção internacional da organização e o seu “papel ativo” na promoção da participação da CPLP aos seus cidadãos.

Por fim, a Cimeira saudou a memória de Nélson Mandela, que se fosse vivo completaria 100 anos, no dia do encerramento, 18 de julho.