Em comunicado, o ministério chinês da Cultura e do Turismo anunciou a suspensão das viagens a partir de quinta-feira, "face às atuais relações entre os dois lados".

O comunicado não detalha se também as viagens em grupo serão suspensas.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana.

A China só permite aos residentes das suas 47 maiores cidades que visitem Taiwan.

Todos os outros têm de pedir permissão, através de agências de viagens selecionadas, e de viajar em excursões em grupo.

Não é claro o impacto da medida na indústria do turismo de Taiwan, que também recebe visitantes da Coreia do Sul, Japão e Sudeste da Ásia, atraídos pelas praias, regiões montanhosas e comida de rua.

Pequim cortou todos os contactos com o governo da presidente taiwanesa Tsai Ying-wen pouco depois da sua eleição, em 2016, e desencorajou as visitas de cidadãos chineses a Taiwan, enquanto aliciou vários países a terminarem as relações diplomáticas com a ilha e bloqueou a participação de Taipé em reuniões internacionais.

Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorreu em outubro de 2017, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.

As forças armadas taiwanesas realizaram esta semana dois dias de exercícios militares com fogo, coincidindo com exercícios militares chineses na costa do continente de frente para a ilha.

O ministério da Defesa de Taiwan disse que os exercícios na base de Jiuping serviram para testar 12 tipos de mísseis com um alcance de até 250 quilómetros, o suficiente para atingir alvos no interior do continente.

O vice-chefe de gabinete do ministério, Li Chao Ming, disse na terça-feira que 117 projéteis foram disparados com uma taxa de precisão de mais de 95%, mas recusou-se a identificar os mísseis pelo nome.

Dois dos caças F-16 da Força Aérea também dispararam mísseis AGM-Harpoon que atingiram dois navios de desembarque desativados, disse Li.

A imprensa estatal da China noticiou que o exército chinês está a realizar quatro dias de exercícios, que terminam na quinta-feira, ao longo das costas das províncias de Zhejiang e Fujian, que ficam de frente para Taiwan.

Imagens transmitidas pela emissora estatal CCTV mostram mísseis a serem disparados e praias a serem atacadas por tanques e embarcações.

O Exército de Libertação Popular não é um exército nacional, mas o braço militar do Partido Comunista Chinês.

Numa receção para celebrar o 92.º aniversário da fundação do Exército, o ministro chinês da Defesa, Wei Fenghe, prometeu que as forças armadas sempre defenderiam a "liderança absoluta" do partido.

"Há apenas uma China, e Taiwan é uma parte inalienável do território chinês", disse Wei, citado pela agência noticiosa oficial Xinhua.

O ministro garantiu que as forças armadas chinesas "salvaguardarão firmemente a soberania nacional, a segurança e a integridade territorial".

A China está também alarmada com os sinais de aumento do apoio militar pelos EUA a Taiwan.

Embora Washington não tenha laços diplomáticos formais com Taipé, a lei norte-americana determina que forneça a Taiwan equipamentos e serviços de defesa suficientes para autodefesa.

No início deste mês, os EUA aprovaram provisoriamente a venda de 2,2 mil milhões de dólares de armamento a Taiwan, incluindo tanques e mísseis de defesa antiaérea.

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