Artur Correia revelou estas informações aos jornalistas, na cidade da Praia, à margem de uma mesa redonda sob o lema “Cancro seus factores de Risco e Prevenção”, promovida pelo Instituto Nacional da Saúde Pública, no quadro da celebração do Dia Mundial de Luta contra Cancro, com o objectivo de promover uma reflexão sobre esta doença que é considerado um problema de saúde pública.

“Há muitas coisas que podemos fazer como indivíduo, como família e como comunidade para prevenir o cancro”, demonstrou, salientando que a doença tem a ver com a genética, mas também com aspectos comportamentais.

Conforme o responsável da saúde, em Cabo Verde é necessário, em parceria com a comunicação social, sensibilizar as populações sobre a importância do diagnóstico precoce do cancro.

Segundo ele, grande parte dos diagnósticos precoce do cancro em Cabo Verde é feita de forma tardia. Neste sentido, defendeu a necessidade de reforçar a sensibilização e prevenção.

No seu entender, a questão do diagnóstico precoce tem a ver com a informação que a pessoa tem sobre o cancro, assim como o comportamento face aos sintomas.

“Há uma boa parte do diagnóstico que nós fazemos aqui, mas também há uma boa parte do tratamento que não fazemos aqui”, lembrou, salientando que não é por acaso que o cancro representa uma “causa importante” de transferência de doentes para o exterior.

Segundo o mesmo, é preciso ganhar resiliência neste sentido para que o país possa ser mais autónomo.

“É esse o caminho que estamos a percorrer”, avançou, reforçando que se está a trabalhar no sentido de haver mais tratamentos a nível nacional e, inclusive, revelou que se está a pensar também na quimioterapia e radioterapia, tendo em conta a construção do novo hospital.

Para Artur Correia, a introdução da radioterapia vai ser um “ganho fundamental”, contribuindo para a diminuição das evacuações.

Artur Correia assegurou que algumas medidas estão a ser tomadas e, neste sentido, indicou a introdução da vacina HPV, que, a seu ver, contribui muito para proteger as adolescentes do tal vírus que é considerado um dos factores fundamentais no desenvolvimento do cancro no colo do útero.

Por sua vez, a representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Flávia Semedo, apontou que a nível mundial um em cada cinco pessoas são diagnosticadas com cancro antes dos 75 anos.

Avançou ainda que desde 2012 na região africana em que Cabo Verde faz parte registou-se um aumento de cerca de 13% dos casos de diagnóstico de cancro.

A OMS estima que, no ano 2030, pode-se esperar 27 milhões de casos e 17 milhões de mortes por cancro, se medidas urgentes não forem tomadas.

Em Cabo Verde, os cancros mais frequentes são os do aparelho digestivo, particularmente do estômago e esófago, os cancros da mama e do colo do útero na mulher e o da próstata no homem.

O Dia Mundial de Luta contra Cancro celebra-se anualmente a 04 de Fevereiro, com a intenção de desmistificar algumas das ideias preconcebidas sobre a doença e informar sobre os factos reais deste assunto.

Inforpress/Fim

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