A Câmara do Turismo de Cabo Verde (CTCV) reuniu-se com uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para "clarificar e provar o erro" da política fiscal do Governo e a necessidade de reverter a situação.

A reunião, que decorreu em Espargos, na ilha cabo-verdiana do Sal, surgiu na sequência de um pedido feito nesse sentido pelo próprio FMI que, periodicamente, vem a Cabo Verde para consultas com o Governo, associações empresariais e sindicais e com várias empresas para analisar a economia cabo-verdiana.

Citado pela Inforpress, Vítor Fidalgo, porta-voz da Câmara de Turismo de Cabo Verde, salientou que a reunião serviu também para fazer um balanço da situação económica global, em particular no setor do turismo, "motor da economia" local.

"Há entraves ao desenvolvimento do turismo e há que facilitar ou estimular um maior crescimento do setor no país", disse Vítor Fidalgo, que disse ter apresentado ao FMI as razões para se alterar a política fiscal do executivo de José Maria Neves.

"Estamos preocupados com a política fiscal, balança de pagamentos, inflação etc. Estamos de acordo que o Governo tenha cada vez mais receitas públicas, mas o aumento deve acompanhar o crescimento económico", advertiu.

Vítor Fidalgo, para quem a economia cabo-verdiana tem estado "um pouco estagnada" desde 2010, disse que as perspetivas "não são boas", reiterando que a política fiscal aplicada até então tem sido "um problema" para o crescimento económico, sobretudo no turismo, com o aumento do IVA de 6 para 15%.

"Todos os países europeus têm várias taxas de IVA. Cabo Verde deve ser um dos raros países do mundo que inventou a necessidade de ter uma única taxa do IVA. Os argumentos apresentados pelo Governo são falsos", asseverou.

A posição da Câmara do Turismo, garantiu, vai no sentido de analisar com o FMI que alterações devem ser feitas para dar maior impulso ao crescimento económico, à criação de emprego e à melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos.

Lusa