A música cabo-verdiana acaba de perder uma das suas importantes vozes, Hermínia d'Antónia de Sal, faleceu domingo à noite, aos 72 anos, na ilha do Sal, vítima de doença prolongada.

O percurso de Hermínia d'Antónia de Sal começou ainda criança, e aos 12 anos gravou o seu primeiro disco.

Prima de Cesária Évora, Hermínia nasceu na ilha de São Vicente, e foi aí, aos 33 anos, que teve oportunidade de mostrar a sua voz ao país, ao gravar uma morna nos estúdios da Rádio Nacional em Mindelo.

"Gravámos uma morna que se chama 'Cavol'. A partir daí, começaram a convidar-me para cantar em vários lugares, nos restaurantes, nas noites cabo-verdianas. Cesária Évora ia cantar no Hotel Porto Grande (na altura o maior do Mindelo) e chamou-me para fazer a primeira parte do espectáculo", relembrou na entrevista à Lusa.

Alguns meses depois do concerto no Mindelo Hotel, surgia o convite para gravação de um CD, pois durante o espectáculo, um francês tinha gravado o espectáculo e queria fazer um disco com a cantora.

"Fiquei surpresa, porque eu nem sabia que eles estavam a gravar", afirmou, lembrando que, depois, foram quatro meses de gravação para o primeiro CD, com mornas tradicionais e algumas que Vasco Martins compôs. Depois, o produtor levou-a a vários palcos do mundo, principalmente festivais.

Hermínia deixa um único álbum “Coraçon leve” com músicas, letras e direcção artística de Vasco Martins e arranjos do músico Voginha.


A cultural Cabo-verdiana em menos de um ano já perdeu oito grandes nomes, cinco deles na música e dois na literatura - Lela Violão (Maio de 2009), Biús (Agosto 2009), Manel d'Novas (Setembro de 2009), Codé di Dona (06 de Janeiro deste ano), Vadú (13 de Janeiro de 2010) e agora Hermínia, ainda os poetas Mário Fonseca (Setembro de 2009) e Luís Romano (23 de Janeiro deste ano)

Fonte:Lusa