José Maria Neves reagia assim na sua página oficial no Facebook sobre a morte do Bispo Emérito Dom Paulino Évora, que faleceu este domingo, na Cidade da Praia, aos 88 anos de idade.

O primeiro contacto com o bispo Dom Paulino Evora, conforme conta o ex-primeiro-ministro de Cabo Verde, aconteceu no ano de 1972, isto quando ele (José Maria Neves) desempenhava o papel de coroinha nas celebrações eucarísticas, em Santa Catarina, na ilha de Santiago.

“Estávamos, se não me falha a memória, em 1972. Era eu “coroinha” e o Padre Paulino Évora estava de férias em Santa Catarina, onde todos os domingos rezava a missa das 11, fazia uma das leituras e auxiliava-o durante a liturgia”, lembrou.

“Antero Rocha participava do grupo coral e tocava piano e todos os dias, depois da missa, queria saber de mim a opinião do Padre novo e exigente sobre os cânticos, queria mesmo era saber a opinião do Padre sobre o pianista”, contou, referindo que recebeu a infeliz notícia em Lisboa a caminho de Luanda.

José Maria Neves afirmou que desde essa altura ele e o Dom Paulino tornaram-se amigos, revelando neste sentido, que ficou feliz quando, nas vésperas da independência nacional Dom Paulino foi nomeado Bispo de Cabo Verde.

Enquanto presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, prosseguiu, foi feita uma homenagem ao Bispo Dom Paulino, ajuntando que quando foi chefe do executivo propôs, mas que Dom Paulino Évora negou receber uma condecoração do Presidente da República pelos relevantes serviços prestados à nação.

José Maria Neves confessou, entretanto, que os dois nem sempre concordaram nas suas posições, mas que sempre dialogaram com “muita sinceridade e respeito mútuo”.

“Foi assim, em 2000, quando fui eleito presidente do PAICV, foi assim durante todo o tempo em que exerci as funções de primeiro-ministro e ele de Bispo de Santiago de Cabo Verde”, realçou, asseverando que em reconhecimento pelos serviços relevantes que o mesmo prestou a Cabo Verde, lhe foi concedida uma pensão condigna, após ter sido eleito Bispo Emérito.

O ex-governante afirmou, por outro lado, que nutre um profundo respeito pelo homem, pelo Bispo e por tudo que o mesmo fez por Cabo Verde, salientando, que o país e a igreja católica perdem muito com a sua morte.

“A minha homenagem ao Homem Maiúsculo da história da Igreja Católica cabo-verdiana, um amante da liberdade e da dignidade da pessoa humana. As minhas sentidas condolências à Diocese de Santiago de Cabo Verde, à Igreja Católica e aos familiares. Descanse em paz, Dom Paulino Évora”, declarou.

Dom Paulino Évora nasceu na cidade da Praia, Diocese Santiago de Cabo Verde, em 22 de Junho de 1931, foi primeiro cabo-verdiano a ser ordenado Sacerdote em Carcavelos, Portugal, a 16 de Dezembro de 1962 e eleito Bispo de Cabo Verde em 21 de Abril de 1975.

Tomou posse da diocese a 22 de Junho de 1975 e exerceu o ministério em condições humanas e sociais difíceis e culturalmente adversas, especialmente nos anos 70 e 80, tendo sido eleito Bispo Emérito desde Julho de 2009.

Dom Paulino Évora, faleceu na residência das Irmãs Franciscanas em Achada Santo António, na cidade da Praia e completaria, no próximo dia 22 do corrente mês, 88 anos de idade e 44 da tomada de posse da Diocese de Santiago de Cabo Verde em 1975.

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