A cerveja cabo-verdiana Strela, que surgiu no mercado de Cabo Verde em 2006, há muito que ultrapassou as vendas da portuguesíssima Sagres e prepara-se para “assaltar” o comando da Superbock, disse hoje o director-executivo da empresa que a comercializa.

Numa entrevista à Agência Lusa, o gestor e engenheiro químico português Arnaldo Rocha, director-executivo das empresas Ceris, produtora da cerveja, e Cavibel, distribuidora, mostrou-se ambicioso e garantiu que, em 2010, a Strela, cerveja leve e aromática, será líder de mercado já em 2010.

“A Strela, neste momento, anualizado, em 2009, vai fechar o ano com 35 por cento da quota de mercado. O que quer dizer que, este ano, nesta altura, andará a rondar os 40 por cento. Ainda não somos líderes mas, no nosso plano, em 2010, chegaremos à liderança”, sublinhou Arnaldo Rocha, natural do Porto, onde nasceu há 55 anos.

Segundo o director-executivo das duas empresas cabo-verdianas, no primeiro semestre deste ano, a Superbock continuava a liderar o mercado, com 52 por cento de quota, com a Strela nos 35 por cento, a Sagres nos 10 por cento e os restantes 3 por cento com origem nas importadas.

A Ceris e a Cavibel têm como accionista principal a espanhola Equatorial Coca Cola Botlling Company, uma “holding” formada em 25,87 por cento pela Coca Cola Export e os restantes divididos pelas empresas, também espanholas, Cobega (60,37 pc), Norbega (11,76 pc) e Casbega (2 pc), que são as empresas distribuidoras, os “franchisados” da Coca Cola em Espanha.

O investimento nos últimos anos, quer no controlo de qualidade quer nas unidades de produção, existentes na Cidade da Praia e no Mindelo (ilha de São Vicente), rondaram os 30 milhões de euros, permitindo que, em 2010, a produção cervejeira possa aumentar dos actuais quatro milhões para oito milhões de litros/ano.

Curioso é o facto de, entre os accionistas, ainda figurar uma empresa da concorrência, a Central de Cervejas, de Portugal, situação desdramatizada por Arnaldo Rocha.

“A Central de Cervejas está presente há muitos anos na estrutura accionista, tem 3 por cento. Ainda agora houve uma assembleia-geral para aumentar o capital social e a Central de Cervejas não acompanhou. Essa percentagem vai se diluindo e não tem já qualquer representatividade. É uma situação que vem de há muitos anos atrás, por causa da Empresa de Cervejas da Madeira, de que era accionista. Mas é uma participação simbólica”, sublinhou.

A Strela, que já recebeu um Prémio Internacional em Bruxelas, é um projecto novo e surgiu da compra da antiga unidade industrial da Ceris em Cabo Verde, aos anteriores accionistas, a Empresa de Cervejas das Madeira, que a vendeu ao Grupo Cobega.

“Agora, temos a unidade industrial e temos de a manter actualizada com os investimentos que estamos a fazer, num mercado que é muito competitivo, não só porque é tudo importado, mas porque há aqui a Sagres e a Superbock”, referiu.

Além do mercado cervejeiro, as duas empresas tuteladas pelo engenheiro químico português já detêm 75 por cento do sector dos refrigerantes, pois a Cavibel, como “franchisada” da Coca Cola, tem a responsabilidade de produção e distribuição das marcas do grupo - Coca Cola, a Coca Cola Light, Sprite, Fanta e Água Tónica.

Sobre a aposta no mercado de Cabo Verde, Arnaldo Rocha destacou o potencial turístico do arquipélago, “que tem muito para evoluir”, sublinhando que as duas empresas, ainda deficitárias este ano, passarão do vermelho para o azul em 2010 ou 2011.

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