Numa mensagem ao país a partir da cidade da Praia, o chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva, destacou o facto de a última ilha do país, Santiago, terminar ao final do dia de hoje o estado de emergência, dois meses depois, podendo o país avançar para a próxima fase no âmbito do combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

“Resultado do bom combate desenvolvido até agora para conter a propagação da covid-19. O fim do estado de emergência não significa o fim do vírus. Representa mais liberdade, mas ao mesmo tempo mais responsabilidade”, afirmou Ulisses Correia e Silva, após o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, ter anunciado na quinta-feira que não vai prorrogar o estado de emergência em Santiago, a única com casos ativos de covid-19, pelo que termina às 23:59 de hoje.

Como forma de contar a pandemia, o Governo declarou o estado de calamidade em 26 de março e três dias depois foi declarado o estado de emergência. Foram suspensas todas as ligações de passageiros interilhas — ligações marítimas foram retomadas nas sete ilhas sem casos covid-19 em 11 de maio — e em 19 de março todos os voos internacionais foram proibidos.

“As ligações aéreas serão retomadas a partir do dia 30 de junho, incluindo Santiago”, anunciou o chefe do Governo na mensagem de hoje.

O governante acrescentou que a decisão consta do plano de desconfinamento aprovado pelo Governo, “que levanta restrições impostas pelo estado de calamidade, de uma forma programada”. Desde logo ao nível dos restaurantes, até agora com horário de funcionamento limitado até às 21:00, o que deixa de acontecer a partir de 01 de junho “em todo o território nacional”.

As ligações marítimas à ilha da Boa Vista, que só este mês deixou de ter casos ativos de covid-19, após um acumulado de 56 diagnosticados desde 19 de março, serão retomadas em 01 de junho, enquanto as ligações a Santiago só serão retomadas em 30 de junho.

“A ilha de Santiago, e particularmente a cidade da Praia, continua com a ocorrência de casos positivos de covid-19. Por esse motivo, mantêm-se em vigor algumas restrições como a interdição dos transportes aéreos e marítimas de passageiros com origem e destino em Santiago, a interdição da frequência e acesso às praias balneares e a interdição de funcionamento de bares”, anunciou Ulisses Correia e Silva.

Citando o plano de desconfinamento, que ainda não foi revelado, adiantou que os eventos culturais e desportivos, como festivais, festas e jogos das diversas modalidades, só serão retomados em Cabo Verde “a partir do dia 31 de outubro”.

Apesar do fim do estado de emergência, o primeiro-ministro assegurou que vai manter-se a obrigatoriedade de algumas medidas de proteção, como o uso de máscara e operações de limpeza e desinfeção regulares.

Cabo Verde regista 390 casos acumulados de covid-19, desde 19 de março, distribuídos pelas ilhas de Santiago (331), Boa Vista (56) e São Vicente (03). Contudo, desde terça-feira que não são feitos testes às amostras recolhidas pelas autoridades de saúde, devido a um problema com reagentes no Laboratório de Virologia do país.

Do total, registaram-se quatro óbitos, dois doentes transferidos para os seus países e 155 doentes recuperados, fazendo com que o país tenha neste momento 229 casos ativos.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 360 mil mortos e infetou mais de 5,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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