A posição relativa do Brasil no ranking elaborado pelo Instituto para a Economia e Paz de Sydney (GPI, na sigla inglesa) caiu dez lugares, para o 116.º, com uma degradação de 5,2% na pontuação geral do país, devido sobretudo a um de três indicadores do índice composto, relativo a “Conflitos em Curso”.

A pontuação, em termos gerais, neste indicador, enquadra um país “relativamente pacífico”, mas constata-se “uma deterioração notável no indicador de combates em conflitos internos, devido ao recrudescimento da violência entre grupos de crime organizado nos últimos três anos”, avança o relatório.

“Foi quebrada uma trégua entre as organizações criminosas dominantes no final de 2016, resultando no restabelecimento dos combates, que provocaram cerca de 250 mortes no ano seguinte”, explica o estudo, acrescentando que “vários grupos no norte do Ceará renovaram as tréguas entre eles, para se unirem em ataques contra as forças de segurança e infraestruturas públicas”.

A intensidade do conflito interno também se deteriorou em 2019, assinala estudo.

As eleições gerais em outubro de 2018, marcadas pela chegada à presidência brasileira de Jair Bolsonaro, culminaram um ciclo de intensa polarização política entre esquerda e direita, que continuou em 2019 e “deverá aumentar ao longo do ano”, prevê o instituto australiano.

“A implementação pelo Presidente Bolsonaro de leis restritivas no domínio da justiça e segurança, a par da reforma do sistema de pensões, deverá fazer aumentar as tensões ao longo do ano”, estima ainda o relatório.

O Brasil registou ainda uma subida de 11% no impacto do terrorismo, em parte devido ao ataque a figuras políticas, entre as quais o próprio Bolsonaro durante a corrida presidencial, em setembrom de 2018, e uma deterioração de 12,5% no crime violento.

A taxa de homicídios mantém-se também no máximo, com o país a figurar entre o grupo de dez países em todo o mundo com o pior registo neste indicador, de acordo com os últimos dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). “Atendendo às inadequações nas forças de segurança, o crime violento deverá manter-se um problema sério no Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades grandes”, vaticina o estudo.

Entre os cinco países em que o GPI mais se degradou, para além do Brasil, constam ainda a Nicarágua, à cabeça, o Burkina Faso, o Zimbabué e o Irão.

Em sentido inverso, o Sudão, apesar de se manter como um dos países menos pacíficos do mundo desde 2008, é entre os 163 países monitorizados pelo GPI de 2019 o segundo que mais melhorias regista, com um aumento de 5,6% na pontuação geral e uma subida de três lugares no ranking para a 151.ª posição.

O estudo assinala que “melhorias notáveis” em indicadores como os do crime violento e terror político, que, apesar de se manterem preocupantes na região do Darfur e em outras no país, registaram grandes progressos na capital, Cartum.

“O terror político também melhorou, ainda que se mantenha elevado”, aponta o relatório, que não tomou em consideração a recente repressão violenta dos protestos em Cartum por parte do Exército, que resultou em mais de uma centena de mortos, condenada hoje pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Desde a dispersão violenta de um acampamento da oposição, em 03 de junho, frente ao Quartel-General das Forças Armadas em Cartum, 118 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas, segundo uma comissão de médicos, próxima do movimento de protesto, a maioria durante esta violenta dispersão, que escapou à análise do instituto australiano.

O Ruanda registou a quinta melhoria mais significativa no GPI, subindo 24 lugares no ranking, uma tendência que se verificou nos últimos quatro de cinco anos, sendo que o último ano foi o mais pacífico desde 2009.

O indicador com maior contributo para o índice composto foi o do crime violento, mas o país registou também uma forte melhoria no indicador relativo à militarização.

Entre os países lusófonos, Timor-Leste é o que se encontra em melhor posição (48.ª no índice geral), seguido por Angola (77.ª posição no ranking e três posição acima do último estudo); Moçambique (94.ª posição, menos nove posições que no índice de 2018) e pela Guiné-Bissau, que aparece na 112ª posição, seis acima do registo anterior, fundamentalmente devido a uma substancial melhoria do indicador relativo ao “terror político”, em que aquele país lusofóno se distinguiu no ano passado, a par da Costa Rica, Qatar, Somália e da Gâmbia.

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