A vereadora intervinha na sessão extraordinária da Assembleia Municipal da Boa Vista, que, nesta quinta-feira, tem como único ponto do dia a apreciação do relatório do encontro de contas entre a autarquia e a empresa Oásis Construções, que manda cancelar o processo.

Em novembro de 2017, a Câmara Municipal da Boa Vista, liderada pelo edil José Luís Santos, cedeu dois terrenos (um de 7.140 m2 e outro de 3.180 m2) à empresa Oásis Construções, que tem como sócio o vereador de Urbanismo, Aristides Brito, como forma de quitar a dívida com a referida empresa.

Esse processo que foi chamado de encontro de contas ou permuta deu muito que falar e ditou, no mês de maio, a criação de uma Comissão Eventual de Inquérito (CEI), por parte do Basta (Boa Vista Avante Sempre Trabalhando Arduamente – grupo que sustenta a CM) e que integra eleitos municipais do MpD e do PAICV (oposições), com o objetivo de apurar alegadas ilegalidades, nesse processo.

Esta quinta-feira, Júlia Ramos reafirmou que sempre foi contra esse processo desde o início e que a unanimidade de votação referida pelo presidente não corresponde à verdade. Aliás que o relatório prova a veracidade da sua declaração.

A responsável pela pasta das Finanças disse ainda que nessa câmara “não se pode falar em democracia”, tendo em conta que tentaram silenciá-la depois da sua posição contra este negócio.

Júlia Ramos informou que esta sexta-feira, 14, será a sua última sessão na Assembleia Municipal da Boa Vista e agradece aos eleitos pela confiança depositada no grupo Basta (grupo que sustenta a CMBV).

Na sua intervenção, o presidente José Luís Santos disse que o facto de não desprofissionalizar a vereadora Júlia Ramos, após “falsas declarações” em sessões de Assembleia Municipal e pelas ruas do município, é prova de que nessa autarquia a democracia é a palavra de ordem e que se trata de uma câmara “transparente”.

O edil reforçou que não desprofissionalizou a vereadora antes dessa sessão de apresentação do relatório do encontro de contas, para que a sua posição não seja tida como uma tentativa de silenciar e impedi-la de dar a sua versão.

José Luís Santos garante que vai apresentar uma queixa crime contra Júlia Ramos e acusa-a de fornecer documentos “importantes” da câmara municipal ao eleito do PAICV, Sérgio Corá.

Inforpress/Fim