George S. Lima, filho de cabo-verdianos, foi um dos primeiros pilotos negros americanos, numa época que se acreditava que os negros eram incapazes de pilotar aviões. Conviveu com o pugilista Joe Louis, Duke Ellington e foi amigo de Louis Amstrong. Uma vida cheia, “bigger than life”, contada agora em documentário.
 
 
Em Dezembro de 1941, o primeiro grupo de cadetes afro-americanos chegava à escola de pilotagem de Tuskegee, no estado do Alabama. George S. Lima, com 21 anos de idade, filho de cabo-verdianos da Boavista e de São Nicolau, era um deles.
 
O chamado Programa Tuskegee destinava-se a formar os primeiros pilotos afro-americanos na história da Força Aérea Americana, numa época em que se acreditava que o homem negro era incapaz de pilotar aviões.
 
A vida de George S. Lima é o tema de um documentário, “Black Men Can Fly”, realizado, em 2006, por Napoleon X e Ken Bento, ambos também de origem cabo-verdiana. Nele, George S. Lima conta como era viver lado a lado com a segregação racial, fora do quartel, mesmo fazendo parte do 332º Grupo de Combate que fez história nos céus da Europa em guerra, aos comandos de caças americanos.
 
“ Quando íamos à cidade beber umas cervejas, barravam-nos a entrada, dizendo que não serviam negros; serviam o meu ajudante, que era branco, mas não a mim”, disse George Lima, aos microfones da rádio WBNW, de Boston, durante um talk-show, com a presença de Napoleon X. Para este filho de cabo-verdianos, a afronta não podia ser maior: “Lutei na guerra pelo meu país, regressei e concluí os meus estudos superiores, e no fim não podia sequer beber uma cerveja num bar”.
 
Para Napoleon X, nascido em Angola, filho de pais cabo-verdianos e a viver na América desde criança, foi uma surpresa saber que durante anos morou a poucas dezenas de metros de George Lima, na cidade de Providence, em Rhode Island. A descoberta aconteceria em 2005 “a ideia do filme foi imediata”. E ao longo desse ano, passaram horas a conversar, recuperando fotografias e episódios da vida a vida extraordinária deste filho de imigrantes.
 
O resultado é uma viagem de 86 anos guiada por George Lima, desde a cidade de Fall River, até o sul profundo do Alabama, em Tuskegee. É a história de um filho de imigrantes, estudante universitário, na Carolina do Norte (numa época em que os negros na América dificilmente podiam sonhar tão alto), de piloto de caças, activista dos direitos humanos, sindicalista, representante estadual, amigo de generais e protector dos desfavorecidos.
 
George Lima conheceu de perto o pugilista Joe Louis e foi amigo de Duke Ellington e Louis Amstrong. Mas, acima de tudo, derrotou a pobreza, o preconceito, conheceu muitas dificuldades, mas, nas palavras do realizador Napoleon X, “nunca perdeu o amor pela vida, a férrea perserverância e a dignidade”.
 
Apesar de se terem apresentado cadetes dos quatro cantos da América, na época julgava-se que os negros eram incapazes de pilotar um avião. De 1943 a 1945, os chamados Pilotos de Tuskegee realizaram um total de 15 mil voos em 1000 e quinhentas missões. E, apesar da superioridade técnica dos caças alemães, obtiveram um impressionante número de vitórias.

 

 

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