Bernardo Motta fez essa proposta, em declarações à Inforpress, à margem da conversa aberta denominada “Olhares Partilhados” que manteve esta tarde com os jornalistas, a convite da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos da América.

“O potencial é muito grande. Muitas pessoas estão a falar das mesmas coisas, mas é preciso que cada um comece a fazer um trabalho mais construtivo. Para a média ser independente precisa ter um sistema financeiro sustentável”, disse.

Isso porque, alertou, hoje com a Internet e o desenvolvimento e competições das redes sociais é difícil usar o financiamento que se usou em século passado para sustentar uma imprensa.

Para mudar o rumo das coisas, Bernardo Motta sugeriu que os mídia privados devem traçar outros horizontes e investir em especialidades, decidindo se querem tratar apenas de trabalhos investigativos, de saúde, de ambiente ou outra área.

“Aqui em Cabo Verde, os meios da comunicação social privado devem descobrir qual é a função de cada um, para poderem saber o que fazer e que seja diferente do outro, pois, uma rádio comunitária não pode estar a disputar noticias com as nacionais, tem é de descobrir como trazer no dia a dia informações sobre a comunidade”, acrescentou.

Para o especialista, que está em Cabo Verde para participar numa conferência e falar sobre o “Papel das mídias em democracia”, a convite da Associação dos Médias Privados, o papel dos meios da comunicação está ligado à educação civil, pois, o povo tem de ser informado sobre várias materiais para poderem exigir do Governo solução.

Conforme Bernardo Motta, quem deve fazer esse trabalho são os jornalistas que devem investigar sobre vários temas, saberem o porquê disso estar a acontecer para poderem informar as pessoas.

“Thomas Jefferson já dizia nos Estados Unidos, que sem a imprensa não há democracia. E o papel principal que eu faço no meu trabalho é ser um jornalista comunitário, que trabalha com os problemas da comunidade local, informando sobre o que precisam para melhorar ou para exigir”, disse, salientado ser esse o tipo de trabalho que a imprensa local deve fazer.

Fazendo isso, realçou, está-se a dar o poder ao povo e fazer com que este saiba o que aconteça na sua comunidade e quem deve melhorar a situação.

Para o presidente da AJOC, Carlos Santos, o encontro é mais uma partilha de ideias e olhares com um especialista dos Estados Unidos, que tem cobrido histórias das comunidades afro-americanas de São Petersburgo, liderou investigações e projectos que incluem questões ambientais, de saúde, assim como ter criado um banco de dados para resgatar e partilhar a rica história dos moradores afro-americanos de São Petersburgo.

Bernardo Motta especializado em jornalismo para o ambiente, comunitário e étnico, é de origem brasileira, trabalhou como advogado, jornalista e consultor em direito ambiental e comunicação antes de emigrar para os EUA, onde obteve o seu Ph.D. em Comunicação e Informação na Universidade do Tennessee, Knoxville.

Actualmente dirige o Neighborhood News Bureau (NNB), uma redacção operacional composta por estudantes de jornalismo que cobrem as históricas comunidades afro-americanas de São Petersburgo, desde 2015.

Bernardo Motta é co-editor do livro “Envolvendo-se com a justiça ambiental: Governança, educação e cidadania” e o seu último artigo está incluído no “Manual de Jornalismo Ambiental” da Routledge (2020).

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