O responsável falava aos jornalistas no âmbito da realização, na Cidade da Praia, da conferência internacional sobre os desafios da construção civil em Cabo Verde, com foco nas tecnologias, visando construções mais eficientes e sustentáveis, promovido pelo Laboratório de Engenharia Civil (LEC).

O representante dos engenheiros sustentou que se Cabo Verde quer cumprir a agenda 2030, “é obrigatório” que as soluções, principalmente no domínio da construção civil, sejam “sustentáveis e tecnologicamente viáveis”.

“Têm de ser eficientes não do ponto de vista energética, mas também ambiental e económica”, disse, indicando que as construções em Cabo Verde sofrem “patologias precoces” devido à falta de proteção.

“Nós não fazemos a proteção da construção, nem o reboco, nem impermeabilização e nem a cimentação do terraço, e não temos as condições de proteger as construções para garantirmos a vida útil infraestruturas e para que não haja patologia precoce, sobretudo do betão que é um material muito sensível”, explicou.

Neste sentido, indicou que hoje em dia existem várias soluções tecnológicas, desde as mais leves, estruturas metálicas e construções secas, entre outras, que podem servir de alternativas.

Contudo, adiantou que é preciso que o país faça uma opção “muito clara”, isto é, defender e proteger as soluções tecnológicas inovadoras em detrimento das soluções tradicionais.

“Acho que aqui devemos tomar medidas a nível legislativo, a nível programático do país e dizer a partir de hoje vamos promover as soluções tecnológicas inovadoras alternativas. Eu quero fazer políticas ambientalmente sustentáveis e vou apoiar e estimular com incentivos fiscais, aduaneiras para estimular a entrada de materiais alternativos”, sugeriu.

Outra possibilidade apresentada pelo bastonário da Ordem dos Engenheiros é fazer políticas de incentivo via banca e nível do crédito.

“O Estado pode bonificar o crédito para construções alternativas. Entendemos que um projeto eficiente, sustentável deve ter o conforto do Estado e das instituições financeiras a nível do financiamento bancário”, explicou.

Durante dois dias técnicos, docentes, estudantes e representantes das empresas nacionais de engenheira e arquitetura, entre outras individualidades, vão estar na Cidade da Praia para debater os desafios da construção em Cabo Verde.

“Soluções em Betão – evolução e novos desafios”, “Gestão eficientes de recolha de resíduos”, “impermeabilização”, “influência de adição de pozolanas naturais e de cinzas de combustão no desempenho de betões de cimento eco-eficientes com baixo teor de cimento”, são outros temas previstos no programa da conferência que está enquadrada nas atividades comemorativas dos 26 anos do LEC.