A queixa já foi assinada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Riyad al-Maliki, que viajará para Haia (Holanda) na próxima semana para apresentar pessoalmente o caso perante o TPI.

A denúncia será apresentada à procuradora do TPI, Fatou Bensouda, na próxima “terça-feira ou quarta-feira”, disse fonte da embaixada palestiniana em Haia, que não precisou se a queixa contra Israel é por alegados crimes contra a humanidade, genocídio ou ambos.

A tensão na faixa de Gaza tinha vindo a subir desde o início, a 30 de março, de um movimento de contestação designado “marcha de retorno”, que reivindica o regresso dos refugiados palestinianos às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948.

Israel já tinha sido criticado por utilizar balas reais na repressão das manifestações, mas nos protestos de segunda-feira, dia da inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, 60 palestinianos foram mortos Gaza, oito deles menores, e 2.771 foram feridos, metade dos quais por tiros dos soldados israelitas, incluindo 225 menores.

Na terça-feira, vários países pediram uma investigação independente aos acontecimentos mortais na faixa de Gaza, como o Reino Unido, a Irlanda, a Bélgica e a Suíça, enquanto a Alemanha, tradicionalmente entre os principais defensores do Estado hebreu na Europa, se declarou favorável a um inquérito nesse sentido.

A Liga Árabe, por seu turno, apelou à procuradora do Tribunal Penal Internacional para que abra rapidamente um inquérito sobre os "crimes da ocupação israelita" contra os palestinianos e a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) anunciou ter recorrido ao TPI sobre os “crimes de guerra cometidos pelo exército israelita contra jornalistas palestinianos” desde 30 de março.

No mesmo dia, Fatou Bensouda afirmou que acompanhava de perto a violência na faixa de Gaza e prometeu “tomar as medidas adequadas”.

“A minha equipa segue atentamente os desenvolvimentos no local e analisa qualquer alegado crime” que possa ser da competência do TPI, declarou Fatou Bensouda à agência France-Presse.

A Palestina tornou-se membro de pleno direito do TPI em abril de 2015, após a entrada em vigor da sua adesão ao Estatuto de Roma.