Muitos são os desportistas cabo-verdianos ou de origem que se têm destacado no desporto, tanto em Portugal, como no resto da Europa e Estados Unidos.
A busca por uma vida melhor leva os seus pais a deixarem Cabo Verde e a procura por grandes oportunidades é o maior incentivo dos jovens que cedo percebem que é fora das ilhas que o futuro está garantido. Foi assim com Miguel, Manuel Fernandes, Nélson, Nani, Jorge Andrade, Marco Fortes, Nélson Évora, entre muitos outros.
Todos eles representam Portugal nas competições mundiais. Trazem a dupla nacionalidade ao peito, no coração as raízes cabo-verdianas são fortes, mas é como portugueses que lhes é permitido chegar mais longe.
"Ninguém pode adivinhar quantas medalhas ou títulos internacionais teria Cabo Verde se a maioria por lá tivesse ficado...mas que seriam muitas isso é uma evidência", lê-se num artigo do jornal A Semana.
Jorge Andrade, considerado um dos melhores defesas de Portugal, começou a sua carreira no Estrela da Amadora. Nascido em Lisboa, foi no FC Porto que o seu talento se demarcou. Daí para o Desportivo da Corunha foi um salto, onde jogou durante cinco épocas. Uma grave lesão afastou-o dos relvados em 2006 e do Mundial desse ano. Representou as cores portuguesas no Mundial 2002 e no Euro 2004. Apesar das constantes lesões tem sido uma peça fundamental na selecção portuguesa.
Miguel, filho de cabo-verdianos, é uma convocação habitual na selecção de Portugal e joga no Valência, clube espanhol que o contratou por cinco épocas. Nasceu em Chelas, bairro problemático de Lisboa e aos 18 anos estreou-se no Estrela da Amadora. Aos 20 foi para o Benfica, onde fez a "vida negra" a muitos atacantes. O lateral direito saiu deste clube de forma litigiosa, mas a sua transferência para Espanha valeu ao Benfica quase oito milhões de euros.
Outro luso cabo-verdiano que se tem distinguido é Nélson. Deixou Cabo Verde há seis anos e por força das oportunidades naturalizou-se português. O jogador do Benfica tem um futuro bastante promissor: em cima da mesa está uma proposta milionária do clube inglês Aston Villa. Ao Sapo CV, Nélson revelou que apesar de estar em Portugal e se ter naturalizado não esqueceu Cabo Verde, onde tem amigos e familiares. No artigo d’A Semana acrescenta também que sempre prometeu "dedicação para representar bem o nome de Cabo Verde" e que sente "um grande orgulho" em ser cabo-verdiano e nunca esquece as suas raízes quando joga à bola.
As histórias são, na maior parte das vezes, bastante comuns a todos eles. São o orgulho de duas nações e carregam, obrigatoriamente, uma dupla responsabilidade.
Se é sorte ou talento, ou um bocadinho dos dois, não se sabe. Mas até agora o sucesso tem acompanhado os jogadores de origem cabo-verdiana.
Veja-se o caso de Manuel Fernandes, de 22 anos apenas e com uma carreira a que os olheiros devem estar atentos. Formado nas escolas do Benfica, o trinco já esteve nas camadas jovens da selecção portuguesa e na selecção principal. Apesar de ser jogador do Valência, foi emprestado ao Everton (Inglaterra).
Outro menino prodígio é Nani, profissional do Manchester United. Natural da Praia, veio para Portugal com dez anos apenas. Hoje, com 21 anos já é considerado um dos melhores jogadores cabo-verdianos de sempre. Foi júnior do plantel do Real Massamá, clube dos arredores de Lisboa e aos 17 anos "saltou" para o Sporting. É um extremo polivalente (joga à esquerda e à direita) e já lhe chamam "o atleta completo", devido às acrobacias que faz sempre que marca um golo.
"Este jogador também poderia representar a selecção de Cabo Verde, mas como outros na sua situação, escolheu Portugal", refere o artido d'A Semana, no qual Nani explica o motivo da escolha: "Nascemos e crescemos aqui, e é aqui que temos os nossos amigos, a nossa vida, apesar de nunca esquecermos as nossas raízes cabo-verdianas".
Não é só no futebol que os nossos desportistas se destacam. O campeão do mundo em triplo salto também é de origem cabo-verdiana. Nélson Évora nasceu na Costa do Marfim, é filho de cabo-verdianos e veio para Portugal ainda muito pequeno.
Antes de se naturalizar português, em 2002, chegou a representar Cabo-Verde, mas é como português que vai aos Jogos Olímpicos de Pequim este ano.
Mas Pequim vai receber mais um cabo-verdiano. Marco Fortes é o lançador do peso que vai representar Portugal na China, é atleta do Sporting e recordista nacional da modalidade.
Estes são apenas alguns meninos de ouro que Cabo Verde tem em Portugal. Talentos em potência que muitas alegrias dão aos dois países.
Entrevista ao Nélson jogador do Benfica
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