Numa carta aberta dirigida a Isaias Aferwerki, os ativistas de direitos humanos, jornalistas e académicos pedem ao chefe de Estado da Eritreia, considerado um dos mais repressivos regimes em África, "uma oportunidade" para visitar os seus colegas detidos em cadeias no país.

O grupo, que inclui nomes como os dos angolanos Rafael Marques e José Agualusa, da cabo-verdiana Iva Cabral, do guineense Miguel de Barros ou da moçambicana Paulina Chiziane, além do escritor nigeriano Wole Soyinka, congratulou-se com a recente normalização das relações entre a Etiópia e a Eritreia.

Nesse sentido, manifestaram a expectativa que tal passo represente o início de "uma nova era" de aprofundamento da "estabilidade e prosperidade na região".

Em declarações à Lusa, Rafael Marques defendeu que esta ação representa "um primeiro ensaio sobre o estabelecimento de uma cadeia de solidariedade mais forte entre figuras proeminentes da sociedade civil africana para a busca de soluções africanas para os problemas africanos".

Na carta, os ativistas pediram ainda ao chefe de Estado para manter o "ímpeto de abertura" do país, após um período de isolamento, que consideram representou "uma perda para a Eritreia e para toda a África".

Expressaram ainda preocupação pelo "clima de hostilidade" que se regista no país, particularmente contra jornalistas, opositores, ativistas de direitos humanos e defensores da democracia.

Lembram que muitos eritreus foram presos por razões políticas, o que gerou um clima de medo e provocou um considerável movimento migratório para fora do país.

Solicitaram, por isso, autorização formal para visitar os seus colegas presos na Eritreia para lhes expressar solidariedade e lembrar-lhes que "África nunca os esquecerá ou abandonará".

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.