Rosa Moniz é a cara da Associação Cabo-verdeana de Sintra, a única existente em todo o concelho. Depois de passar pela embaixada de Cabo Verde em Lisboa e de uma curta experiência na área da comunicação/jornalismo, decidiu-se pelo associativismo, uma área em que já tinha alguma experiência.
Em pouco mais de seis anos, a associação passou de pequena  associação de bairro (Serra das Minas)dedicada a promover a cultura cabo-verdiana, para ser parceira da Câmara Municipal e outras instituições que estão directamente ligadas à questão da imigração.
A população dos bairros de Rio de Mouro passou a encontrar na associação um novo apoio para os seus problemas sociais, nomeadamente a documentação: “Havia muita gente ilegal, e pessoas que pela lei já tinham direito à residência e à nacionalidade e que ignoravam esse facto por completo.” Uma intervenção que passou a englobar crianças, jovens e as famílias.
A primeira tarefa foi informar os cidadãos imigrantes dos seus direitos, ajudar na legalização e, a pouco e pouco, a intervenção social acabou por abranger quase todas as áreas. Com o tempo, constituíram-se gabinetes de apoio à formação profissional, trabalho comunitário, às famílias, cursos de informática e electricidade, ao mesmo tempo que o pessoal administrativo ia aumentando.
A associação passou a integrar assistentes sociais, estagiários e a candidatar-se a programas sociais, como o Programa Escolhas, e a trabalhar com o ACIDI (Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural) e outros financiadores de projectos sociais.
Desenvolveram-se projectos como  os trabalhos comunitários que jovens delinquentes, enviados pelo Tribunal de Menores, executam na associação. “É um dos nossos orgulhos, pois através deste projecto alguns jovens acabaram por ser aproveitados e conseguiram mesmo mudar o seu percurso de vida”, diz Rosa.
No entanto, a vertente lúdica continua, com destaque para o desporto e a cultura, com os grupos de dança,  e a festa anual que a associação realiza, em homenagem à cultura cabo-verdiana.
Para 2010, a prioridade vai para a consolidação dos projectos e estabilização da equipa de técnicos da associação. “Alguns técnicos têm os salários apenas garantidos durante o tempo de vida dos projectos; precisamos de uma equipa técnica fixa e é por isso que vamos trabalhar em 2010”, conclui.