No âmbito do III Fórum da Rede de Mulheres Jornalistas Africanas “Les Panafricaines”, cerca de 300 profissionais de 54 países africanos estiveram reunidas ontem, dia 5, com o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Africana e Diáspora, Nasser Bourita, que já tinha marcado presença na abertura da segunda edição do “Les Panafricaines”, em 2018.

No encontro que teve lugar na capital de Marrocos, Rabat, o governante enalteceu a iniciativa que já está na sua terceira edição, principalmente por se tratar de um evento exclusivamente para mulheres jornalistas. “Se as mulheres africanas baixarem os braços, o continente pode afundar-se”, afirmou.

Numa era em que as fakes news (notícias falsas) estão na ordem do dia, para Nasser Bourita torna-se ainda mais necessário que os media africanos sejam credíveis e sérios e que integrem mulheres que dominam a sua profissão. “Não conheço outra rede tão bem estruturada, ambiciosa e capaz como a “Les Panafricaines”. África precisa de vocês”.

Depois de uma segunda edição dedicada ao tema das migrações, este ano o Fórum da “Les Panafricaines” acontece sob o tema "Emergência climática: os media africanos, enquanto agentes de mudança", um tema pertinente já que o chefe da diplomacia marroquina explica que a questão ambiental e das mudanças climáticas estão intimamente ligadas ao desenvolvimento e segurança alimentar no continente africano.

“África vive um paradoxo: polui menos, mas paga um preço elevado pelas mudanças climáticas”, argumenta o ministro e explica que o tema da edição anterior, as migrações, está ligado à questão das mudanças climáticas no continente africano já que em 2050 mais de metade dos migrantes climáticos ou ambientais serão africanos.

“As mudanças climáticas são um assunto importante para África e para as mulheres africanas que são as mais afetadas por estas mudanças. São as mulheres que sempre tiveram o fardo de procurar água, são as mulheres as mais envolvidas na agricultura e que gerem as consequências sociais das mudanças climáticas, como o deslocamento forçado (da população) e a migração”.

Segundo Nasser Bourita, Marrocos tem cumprido com as suas obrigações no que diz respeito ao clima e cita o exemplo de que até 2030 de toda a energia produzida pelo país cerca de 52 por cento será energia renovável.

Mas mais do que palavras são importantes as ações e os projetos de cooperação entre os países africanos, defende o governante. “O importante é que tanto nesta questão (do ambiente) como na questão da migração, o continente africano não adote uma postura de vitimização. África deve agir com responsabilidade. Sim África não é responsável pela desregulamentação, mas os países africanos devem assumir o controle desta problemática. Uma África nova, descomplexada, jovem (…) e não ficar na súplica de pedir dinheiro e de que somos vítimas desta situação”.

E para o ministro os media africanos tem um papel importante nesta mudança de atitude com um discurso credível, mostrando as boas experiências que acontecem no continente africano e que merecem ser partilhadas.

Les Panafricaines
créditos: CM

A III edição do Fórum “Les Panafricaines” conta com a participação de cerca de 300 jornalistas, dos 54 países africanos, entre os quais Cabo Verde, e decorre na cidade de Casablanca, em Marrocos.

O ponto alto do evento começa hoje, dia 6 de março, com um ciclo de ateliers num dos hotéis de Casablanca com a participação de 7 conferencistas para debate de temas ligados à emergência climática e às mudanças ambientais.

A jornalista está em Marrocos a convite da organização da Rede 'Les Panafricaines'.

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