Luís Semedo, que foi convocado a depor pela segunda vez na CPI, confirmou o que o seu colega Eduíno Moniz havia afirmado durante a sua audição.

O comandante Moniz revelou que houve tentativa de recuperação do dinheiro da venda daqueles aparelhos, mas que os colegas, durante uma reunião no Congo, foram recebidos com uma “pistola em cima da mesa”.

Durante a audição, Luís Semedo foi confrontado pelos deputados se sabia que a companhia seguradora se recusou a responsabilizar-se pela perda de um dos aviões “CASA” atingido durante a guerra no Congo, esclareceu que na aviação as aeronaves são seguradas para operarem numa determinada área e os países que, circunstancialmente, estejam em guerra, “os pilotos são proibidos de voar zonas militarizadas ou em grandes conflitos”.

Admitiu que a gestão do processo da venda dos aviões “Casa” não foi um dossiê em que a informação era partilhada por toda a empresa.

No penúltimo dia das audições foi ouvido o presidente da Associação dos Pilotos de Cabo Verde, Ricardo Abreu, que, na sua introdução, aproveitou para “lamentar” a forma como a imagem da TACV está “beliscada”, não poupando críticas à comunicação social, que, segundo ele, tem contribuído para a “degradação ainda mais da imagem da empresa”.

Perguntado sobre os pontos que mais o marcaram na TACV, assegurou que foi a substituição da frota internacional da companhia aérea de bandeira que “trouxe avultados prejuízos à empresa”.

Segundo ele, houve caso em que um avião esteve quase dois anos sem voar, enquanto se pagava o “leasing” a terceiros, além da apreensão do Boeing-737 que terminou na extinção de uma frota, com os pilotos a permanecer em casa, “já lá vão para dois anos”.

A extinção da frota dos aviões ATR e a separação dos serviços de Handling da TACV, que passaram para a empresa de Segurança Aérea (ASA) são factos que também o marcaram.

De acordo com as suas palavras, a classe dos pilotos está “engajada” no processo da construção do Hub aéreo no Sal para a obtenção de “melhores resultados e relançar a TACV no mercado” da aviação civil.

“O sentimento é de ansiedade e otimismo”, concluiu Ricardo Abreu, não sem antes acusar os políticos de usarem a TACV como “arma de arremesso”.

Durante a CPI criada para averiguar a gestão da TACV desde 1975 a 2017, já foram ouvidas 47 entidades, faltando apenas a antiga presidente da Associação do Pessoal Navegante de Cabine de Aviação Civil, Joaquina Almeida, que vai acontecer nesta sexta-feira, 16.

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