“Fui contactado pela esposa do meu cliente que me informou que ele foi detido pela PJ ontem às 19:00, mas como já estava noite só fui lá hoje para falar com ele. Quando cheguei, falei com um agente na portaria informando-lhe que ia falar com um detido que vai ser apresentado no Tribunal ainda hoje, mas, no entanto, ele foi falar com o chefe e quando regressou me informou que o inspector César Lopes disse que não é possível falar com o detido”, explicou.

Mostrou ainda que foram informados que só é possível contactar o cliente no Tribunal.

O mesmo admitiu que ficou “estupefacto”, uma vez que não estava à espera da tal atitude por parte da PJ, tendo em conta que a Constituição da República diz que um advogado deve contactar o seu cliente em “qualquer hora” do dia para informá-lo sobre os seus direitos.

Diante disso, Joãozinho Andrade considerou que a PJ cometeu um crime de obstrução da justiça.

Por outro lado, demonstrou que se está a negar a defesa de uma pessoa detida, que, segundo ele, precisa de um advogado.

“Nós vamos reagir e apresentar uma queixa contra o inspector César Lopes por objecção à justiça”, garantiu, acrescentando que vão informar a Ordem dos Advogados de Cabo Verde sobre esta situação e enviar um relatório detalhado para a PJ.

De acordo com a mesma fonte, este caso é “muito grave” num estado de Direito Democrático.

Entretanto, assegurou que esta situação não vai passar despercebida, uma vez que, ao seu ver, a “PJ tem estado a fazer muitas coisas que não devem”, por isso, não vão deixar este acontecimento passar em branco.

Diante desta situação Joãozinho Andrade deixou o seguinte recado: “Estamos extremamente desiludidos com a actuação do inspector César Lopes e espero que isso não se repita mais porque nós vamos reagir”.

Contactada pela Inforpress, a PJ refutou as acusações, salientando que não corresponde a verdade que os denunciantes não chegaram a falar com o detido, uma vez que, embora não estarem devidamente mandatado, por volta da meia-noite de sexta-feira falaram com o detido juntamente com os familiares.

“Sucede que os advogados voltaram para falar com os detidos na manhã deste sábado, 25, mas, pelo facto de ainda estavam a decorrer as diligências no âmbito dos processos a que os suspeitos foram detidos, foi-lhes pedido para aguardarem um momento para serem reunidas todas as condições para o efeito, pois naquele momento não era possível”, lê-se na resposta da PJ.

A polícia científica avançou ainda que rejeita tais informações, uma vez que dispõe de registo de entrada dos mesmos no serviço de segurança, assim como imagens comprovativas de que os advogados chegaram a falar com o detido.

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