"Um estudo recente indica que estes factores contribuíram para a adesão de pessoas, particularmente jovens, a organizações extremistas", adiantou o professor da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.

Na opinião do académico, citado pelo diário sul-africano Citizen, o extremismo violento na província moçambicana de Cabo Delgado é a "ameaça mais recente" à segurança regional, nomeadamente à África do Sul.

"De acordo com o Instituto de Estudos de Segurança [ISS, na sigla em inglês], a África do Sul tem ligações com o Al-Shabab, a Al-Qaida e mais recentemente com o Estado Islâmico, estimando-se que cerca de 100 sul-africanos aderiram a este grupo", afirmou ao jornal.

Segundo Anthoni van Nieuwkerk, o país “tem também um historial de extremismo violento derivado de razões internas que ainda prevalecem no contexto da África do Sul", salientando que "a corrupção é também um factor catalisador para actividades extremistas, em termos de planeamento operacional".

"A corrupção compromete a segurança, por exemplo, ao facilitar a entrada de extremistas no país e afectar a capacidade de resposta das forças de segurança, assistindo até na transferência de fundos para grupos extremistas", explicou o académico.

Os líderes da África Austral manifestaram esta segunda-feira no final de uma cimeira virtual a partir de Maputo, a "solidariedade e o compromisso da SADC em apoiar Moçambique na luta contra o terrorismo e ataques violentos".

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco de ataques de grupos armados classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas como ameaça "terrorista".

Na região onde avança o maior investimento de um projecto de gás natural em África (liderado pela Total), os ataques de grupos armados, que eclodiram em 2017 em Mocímboa da Praia, já provocaram, pelo menos, a morte de 1.059 pessoas, e algumas das ações dos grupos têm sido reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

De acordo com as Nações Unidas, a violência armada nesta província do norte de Moçambique forçou à fuga de 250.000 pessoas de distritos afectados pela insegurança, mais a norte da província.

A SADC é uma organização integrada por 16 Estados-membros e visa promover o crescimento e desenvolvimento socioeconómico da região com o objectivo de assumir "um papel mais competitivo e efectivo nas relações internacionais e na economia mundial".

África do Sul, Angola, Botsuana, Comores, República Democrática do Congo, Essuatíni, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seicheles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué são os Estados-membros da SADC.

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